Produtores de carne suína da União Europeia estão sob crescente pressão sobre suas margens de lucro, após a China, seu principal mercado de exportação, anunciar tarifas antidumping de até 62,4% sobre produtos oriundos do bloco. Essas medidas provisórias, que entraram em vigor nesta quarta-feira (10), afetam mais de US$ 2 bilhões em exportações anuais e podem resultar em uma redução nos preços pagos aos produtores europeus.
A China representa cerca de um quarto das exportações totais de carne suína da União Europeia. No primeiro semestre de 2025, as vendas para o país asiático registraram um crescimento de 4%, revertendo uma tendência de declínio observada nos três anos anteriores. Esse aumento recente destaca a dependência do setor europeu do mercado chinês, que absorve volumes significativos de produtos suínos.
Mais da metade dos embarques europeus para a China consiste em miúdos, itens altamente consumidos no mercado local, mas com demanda limitada em outros destinos internacionais. Essa especificidade limita as opções comerciais alternativas para os exportadores da União Europeia, tornando-os particularmente vulneráveis às novas barreiras tarifárias impostas por Pequim.
O impacto das tarifas, combinado à valorização do euro, pode levar a uma redução na produção de suínos na Europa e interromper a recuperação do setor. Recentemente, o segmento vinha se beneficiando de custos mais baixos em ração e energia, o que havia impulsionado uma melhora gradual nas condições econômicas dos produtores.
As tarifas chinesas são amplamente interpretadas como uma resposta direta aos impostos aplicados pela União Europeia sobre veículos elétricos importados da China. Essa escalada reflete tensões crescentes no comércio bilateral, com implicações políticas que vão além do setor agropecuário, afetando as relações diplomáticas entre os dois blocos econômicos.