Os preços do trigo continuam em declínio no mercado brasileiro, conforme indicam os dados mais recentes do Cepea. Essa tendência reflete uma combinação de fatores internos e externos que impactam diretamente a economia agrícola do país, afetando regiões chave como o Paraná e o Rio Grande do Sul.
No Paraná, a média de preços em setembro atingiu o menor patamar desde abril de 2024, quando ajustada por valores reais. Já no Rio Grande do Sul, os valores são os mais baixos desde janeiro deste ano. Os pesquisadores do Cepea atribuem essa pressão à intensificação da colheita nacional, que aumenta a oferta no mercado interno.
Além disso, a desvalorização do dólar em relação ao Real contribui para a redução dos preços, tornando as importações mais atrativas e diminuindo a competitividade das cotações locais. Somam-se a isso as quedas nas cotações internacionais do trigo, que exercem influência sobre o mercado brasileiro.
Um fator adicional destacado pelos analistas é a suspensão temporária das retenciones, que são taxas de exportação na Argentina. Essa medida ampliou a oferta no mercado vizinho, levando compradores brasileiros a reduzir ainda mais suas ofertas e intensificando a concorrência regional.
No Rio Grande do Sul, o preço médio do trigo em setembro, até o dia 26, foi de R$ 1.262,67 por tonelada. Isso representa uma queda de 2,2% em comparação a agosto e de 9,2% em relação a setembro de 2024, considerando valores deflacionados pelo IGP-DI.
No Paraná, a média registrada é de R$ 1.354,35 por tonelada, com uma baixa de 5,5% no mês e de 10,3% no comparativo anual, também ajustado pela inflação. Esses números ilustram o impacto acumulado das condições de mercado sobre os produtores locais.
Essa dinâmica pode influenciar políticas agrícolas e econômicas, especialmente em um contexto de relações comerciais com países vizinhos como a Argentina, onde alterações fiscais afetam diretamente o fluxo de commodities.