O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sexta-feira , 6 março 2026
Início Agricultura Algodão Algodão brasileiro enfrenta crise de competitividade em meio a turbulências globais
Algodão

Algodão brasileiro enfrenta crise de competitividade em meio a turbulências globais

100

O Indicador do algodão em pluma CEPEA/ESALQ quebrou uma estabilidade de meses ao operar abaixo da paridade de exportação, um cenário não visto desde dezembro de 2024. De acordo com o levantamento do Cepea, essa queda é impulsionada principalmente por fatores no mercado internacional, levantando preocupações sobre a competitividade do produto brasileiro. Os pesquisadores do Cepea destacam que tanto o Indicador nacional quanto a paridade de exportação acumulam desvalorizações ao longo de 2025, refletindo pressões que afetam diretamente o setor agrícola do país.

A valorização do real frente ao dólar, combinada com a retração do Índice Cotlook A e a queda nos contratos de algodão na Bolsa de Nova York (ICE Futures), formam as três frentes principais de pressão negativa. No contexto interno, isso resulta em maior resistência para a recuperação dos preços domésticos da pluma. A conjuntura internacional desfavorável, agravada pela instabilidade geopolítica global e pela ampliação da oferta de algodão no Brasil, intensifica a pressão vendedora e limita as perspectivas de melhora no mercado físico.

A paridade de exportação serve como referência crucial para os produtores, representando o valor que viabiliza a venda do algodão brasileiro no exterior. Quando os preços internos caem abaixo desse patamar, a rentabilidade das exportações é comprometida, restringindo operações e impactando o escoamento da produção. Esse desequilíbrio pode afetar não apenas os produtores, mas também o equilíbrio econômico de regiões dependentes do agronegócio, com implicações para políticas de comércio exterior.

Nos últimos dias, o dólar se fortaleceu novamente frente ao real, proporcionando uma leve recuperação na paridade de exportação. No entanto, analistas do Cepea indicam que esse ritmo ainda é insuficiente para alterar o cenário de baixa nas cotações domésticas. O novo patamar revela um desafio duplo para o setor: a necessidade de maior competitividade no comércio internacional e o risco de desestímulo à comercialização em um período de elevada oferta.

A expectativa agora se volta para os próximos movimentos cambiais e os desdobramentos da demanda global por fibras naturais. Esses elementos podem influenciar decisões políticas relacionadas ao apoio ao agronegócio, especialmente em um contexto de instabilidades econômicas internacionais que afetam o posicionamento do Brasil no mercado global.

Relacionadas

Safras & Mercado estima queda de 11,5% na produção de algodão no Brasil para safra 2025/26

Safras & Mercado projeta queda de 11,5% na produção de algodão no...

Embrapa confirma primeira detecção de caruru-palmeri em área de grãos em Rancharia, SP

Embrapa confirma primeira detecção de caruru-palmeri em Rancharia, SP. Saiba os impactos...

Negócios com algodão seguem lentos em janeiro, mas preço médio mensal avança

Negócios com algodão em pluma seguem lentos em janeiro, mas preços reagem...

Sumitomo Chemical expande Expedição de Produtividade para soja, milho e algodão no Brasil

A Sumitomo Chemical expande sua Expedição de Produtividade para soja, milho e...