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Phytophthora infestans desativa sistema de defesa das plantas com enzimas especializadas

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Estudo revela que o oomiceto responsável pela requeima da batata usa oxidases para neutralizar o “alarme” imunológico das plantas e garantir o sucesso da infecção.

Patógeno corta o “alarme” vegetal

Pesquisadores das universidades de York, James Hutton Institute e Université Libre de Bruxelles descobriram que o oomiceto Phytophthora infestans, causador da requeima da batata e do tomate, utiliza enzimas da família AA7 para desativar os mecanismos de defesa das plantas. Essas enzimas oxidam fragmentos de pectina liberados quando há dano celular — compostos que normalmente ativam a resposta imune vegetal.

Ao alterar quimicamente esses oligogalacturonídeos (OGs), as AA7 impedem que a planta reconheça o ataque e produza espécies reativas de oxigênio (ROS), um dos primeiros sinais de defesa. Em termos práticos, o patógeno “corta os fios do alarme” antes que o sistema imunológico vegetal perceba a invasão.

Foto: Elizabeth Bush, Virginia Polytechnic Institute and State University

Enzimas agem com precisão

As enzimas AA7 secretadas por P. infestans atuam no apoplasto, região extracelular onde ocorre a comunicação bioquímica entre células. Nessa área, tanto o patógeno quanto a planta liberam enzimas semelhantes, o que indica um caso de evolução convergente. A versão do oomiceto, porém, é especializada em oxidar OGs vegetais, neutralizando o sinal de perigo e abrindo caminho para a infecção.

Quando os genes responsáveis pelas AA7 foram silenciados em laboratório, as plantas infectadas apresentaram manchas menores e menor necrose, comprovando a importância dessas enzimas na virulência do patógeno.

Convergência evolutiva e adaptação

As análises estruturais mostraram que as AA7s de P. infestans possuem uma ligação mono-cisteinílica ao cofator FAD — característica que as torna mais eficientes em pH ácido, como o ambiente do apoplasto. Essa eficiência catalítica aumenta conforme o tamanho dos OGs, favorecendo a inativação dos fragmentos mais imunogênicos.

Além disso, a pesquisa detectou genes semelhantes em outros oomicetos fitopatogênicos, sugerindo que o mecanismo de desativação de OGs pode ser uma estratégia comum entre esses microrganismos.

Foto: Sandra Jensen, Cornell University

Implicações para o controle de doenças

A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novas estratégias de manejo contra doenças causadas por oomicetos, como a requeima, que provoca grandes perdas econômicas na agricultura mundial. Ao compreender como esses patógenos burlam o sistema de defesa vegetal, cientistas podem projetar plantas mais resistentes e alternativas sustentáveis ao uso intensivo de fungicidas.

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