As cotações do trigo na Bolsa de Chicago encerraram outubro com uma leve alta, impulsionadas pela valorização da soja e pelas expectativas em torno do acordo comercial entre Estados Unidos e China. Esse movimento reflete o alívio nas tensões comerciais que afetam o setor agrícola global, com implicações políticas para as negociações bilaterais entre as duas potências.
De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o bushel do cereal atingiu US$ 5,32 no dia 29 de outubro, o maior valor desde julho. No entanto, houve um recuo para US$ 5,24 no fechamento do dia 30, indicando a volatilidade persistente no mercado.
Apesar do impulso momentâneo proporcionado pelo acordo parcial entre EUA e China, os fundamentos do mercado de trigo continuam frágeis. Os embarques norte-americanos na semana encerrada em 23 de outubro somaram apenas 258.543 toneladas, ficando abaixo das expectativas do setor.
No acumulado do ano comercial, os EUA embarcaram 11,5 milhões de toneladas, o que representa um avanço de 19% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o mercado internacional enfrenta impactos da ampla oferta global e da forte concorrência com trigo proveniente de países como Rússia e Austrália.
A demanda por trigo para ração tem sido limitada, uma vez que alternativas como o milho se mostram mais econômicas. O acordo comercial trouxe certo alívio às tensões, melhorando o humor dos investidores e acompanhando ganhos em outros mercados agrícolas, com a soja liderando as altas na semana.
A CEEMA destaca que a trajetória futura das cotações dependerá do comportamento da demanda global e das perspectivas climáticas nas regiões produtoras do hemisfério norte, que já planejam a próxima safra. No curto prazo, o mercado deve manter oscilações pontuais, sem uma tendência clara de alta, a menos que haja mudanças significativas na dinâmica de oferta e demanda global.
Esse cenário agrícola ganha relevância política, pois o acordo entre EUA e China pode influenciar negociações mais amplas, afetando não apenas commodities como o trigo, mas também o equilíbrio econômico entre as nações envolvidas.