Modelo sustentável ganha espaço no campo e destaca práticas que reduzem desperdícios, otimizam recursos hídricos e ampliam a produtividade, com impactos diretos no agronegócio da Bahia e do país.
Economia circular e irrigação: um novo caminho para o agro sustentável
A agricultura irrigada brasileira avança para um modelo mais sustentável, alinhado às tendências globais da economia circular. O conceito, que prioriza o reaproveitamento de recursos e a redução de desperdícios, começa a transformar sistemas produtivos no campo, trazendo benefícios ambientais, sociais e econômicos — especialmente em regiões estratégicas como a Bahia e o Cerrado brasileiro.
Integração entre sustentabilidade e eficiência hídrica

A economia circular propõe um fluxo contínuo de materiais e energia, rompendo com a lógica linear de extração e descarte. Na agricultura irrigada, isso se traduz em práticas como a redução do consumo de água, a reutilização de efluentes, a reciclagem de nutrientes e a gestão integrada de recursos hídricos.
Com mais de 10 milhões de hectares irrigados em 2024, boa parte do crescimento ocorre por meio de sistemas altamente eficientes, como pivô central e irrigação localizada, que otimizam a produtividade e diminuem perdas.
Água que volta ao sistema: os “rios voadores” da irrigação
Estudos da Universidade Federal de Viçosa (UFV) em parceria com o Ministério da Agricultura demonstram que cerca de 99% da água aplicada na irrigação retorna à atmosfera por evapotranspiração, contribuindo para a formação de chuvas em outras regiões.
Segundo o levantamento, entre 4% e 8% dessa água permanece na mesma bacia, metade retorna à América do Sul e 25% beneficia bacias hidrográficas com usinas hidrelétricas, reforçando o caráter circular da irrigação.
Práticas consolidadas: do plantio direto ao uso de reservatórios
O Brasil já acumula importantes exemplos de agricultura circular, como o plantio direto — presente em cerca de 45 milhões de hectares — e sistemas integrados como ILP e ILPF.
Outro destaque são os reservatórios conhecidos como “piscinões”, que permitem ampliar áreas irrigadas sem aumentar a outorga de água. Estruturas bem projetadas e revestidas com geomembranas de qualidade podem dobrar a área irrigada com a mesma disponibilidade hídrica.
Cane-de-açúcar e fertirrigação: um caso de sucesso

Um dos exemplos mais expressivos de economia circular na irrigação ocorre na cadeia da cana-de-açúcar. A vinhaça, subproduto do etanol, antes considerada um passivo ambiental, hoje é reaproveitada quase integralmente por sistemas de irrigação.
O Brasil produz cerca de 36,8 bilhões de litros de etanol, gerando grandes volumes de vinhaça, rica em nutrientes. O reaproveitamento desse efluente na fertirrigação reduz o uso de fertilizantes químicos e contribui para a geração de biogás, fechando ciclos produtivos.
A transição para a economia circular representa tanto uma necessidade quanto uma oportunidade para o agronegócio brasileiro. Para avançar, o setor precisa ampliar práticas regenerativas, rever processos industriais e logísticos e investir em tecnologias de automação, energia limpa e gestão inteligente da água.
Com esse movimento, agricultura irrigada se posiciona como protagonista na sustentabilidade, na produtividade e na geração de valor para o Brasil e para a Bahia.
Forte: Nortene, edição novembro 2025
