Mercado segue pressionado apesar de menor oferta imediata no Rio Grande do Sul
O mercado de arroz em casca continua operando sob forte pressão de preços no Brasil, reflexo de um cenário estrutural de ampla oferta ao longo da cadeia produtiva. Levantamento divulgado pelo Cepea nesta terça-feira (21/01) aponta que, mesmo com restrições pontuais de disponibilidade no curto prazo, as cotações seguem limitadas, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país.
Exportações reduzem oferta no curto prazo
De acordo com os pesquisadores do Cepea, a priorização dos contratos de exportação por parte dos produtores tem reduzido o volume de arroz disponível para negociação imediata no mercado interno. Esse movimento, no entanto, não tem sido suficiente para sustentar os preços, diante do aumento dos estoques iniciais no Brasil e das expectativas de maior oferta global ao longo da safra 2025/26.
Cenário internacional amplia pressão
No cenário internacional, as projeções reforçam a tendência de abundância. Dados do USDA indicam que os embarques globais de arroz beneficiado devem alcançar 62,8 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume 5,2% superior ao registrado no ciclo anterior. A produção mundial está estimada em 541,16 milhões de toneladas, consolidando um ambiente de excedente no comércio global.
Reflexos para o agronegócio brasileiro
Para o agronegócio brasileiro, especialmente nas regiões produtoras do Sul, o contexto exige cautela na comercialização e maior atenção às estratégias de gestão de custos e fluxo de caixa. A combinação entre estoques elevados, concorrência internacional e crescimento da oferta mundial tende a manter as cotações do arroz pressionadas no curto e médio prazos.