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Preço do tomate deve subir em 2026 com clima instável e menor área plantada no Brasil

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Clima adverso, avanço de doenças nas lavouras e redução da área cultivada pressionam custos e elevam expectativa de alta para o tomate em 2026

O preço do tomate deve permanecer pressionado ao longo de 2026, refletindo os impactos do clima instável sobre a produção agrícola no Brasil. Em 2025, o fruto já havia registrado inflação de 4,38%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, figurando entre os principais vilões da inflação dos alimentos no país.

Para este ano, a expectativa é de que os preços do tomate acumulem alta próxima de 7%, segundo estimativas de Francisco Faria, economista da FGV-Ibre. De acordo com o pesquisador, a volatilidade típica do produto dificulta projeções precisas, mas a tendência estrutural aponta para encarecimento no longo prazo, especialmente diante de fatores climáticos recorrentes.

Clima e doenças afetam produtividade

Levantamentos do Cepea indicam que a safra de verão 2025/26 tem sido marcada por clima mais úmido e temperaturas elevadas, favorecendo a incidência de doenças fúngicas e bacterianas. Entre os principais problemas observados estão mancha de Stemphylium, cancro-bacteriano e murchas bacteriana e de Verticillium, que comprometem a qualidade dos frutos e elevam o descarte.

Apesar dos maiores investimentos em tecnologia agrícola, que garantiram produtividades semelhantes ou até superiores às da safra anterior em algumas regiões, o desempenho vem recuando à medida que os problemas fitossanitários se intensificam ao longo do ciclo produtivo.

Área cultivada encolhe e pressiona oferta

Outro fator de atenção é a redução da área plantada com tomate no Brasil. Na safra 2025/26, o recuo foi de 8,9%, totalizando 17.272 hectares. Esse movimento, combinado às adversidades climáticas, contribui para limitar a oferta e sustentar preços mais elevados ao consumidor.

A produção nacional é estimada em 4,4 milhões de toneladas, com valor de produção de R$ 9,9 bilhões. Goiás segue como principal estado produtor, segundo o IBGE, mas estados do Nordeste, como a Bahia, também sentem os efeitos do clima irregular sobre o ritmo de colheita.

Cenário regional reforça incertezas

Dados regionais do Cepea mostram contrastes na produtividade. Em Itapeva (SP), a produção ficou entre 400 e 450 caixas por mil plantas, enquanto em Reserva (PR) o pico de colheita alcançou cerca de 250 caixas por mil plantas. No Espírito Santo, mesmo com chuvas intensas, houve ganhos de produtividade em relação ao ano passado.

Já em regiões de cultivo anual — como Bahia, Ceará, Piauí, Minas Gerais e Paraná — o volume colhido caiu frente a dezembro, reflexo do avanço do ciclo e do clima mais adverso. Esse cenário reforça a percepção de que o tomate seguirá como um dos alimentos mais sensíveis às variações climáticas em 2026.


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