Endividamento da trading controlada pelo grupo russo Sodrugestvo ultrapassa R$ 1,1 bilhão, com forte concentração em bancos e securitizadoras
A Aliança Agrícola, uma das 20 maiores comercializadoras de grãos do Brasil, enfrenta um quadro financeiro delicado, com dívida total estimada em R$ 1,1 bilhão. Segundo dados apresentados em medida cautelar protocolada nesta semana, a maior parte do passivo está concentrada no setor financeiro, que responde por cerca de R$ 971 milhões do total.
Bancos concentram maior fatia da dívida
Entre os credores, o Banco do Brasil aparece como o maior individualmente, com R$ 134,9 milhões a receber. Na sequência estão o Macquarie Bank, com aproximadamente R$ 104 milhões, e o Santander, com R$ 95 milhões. A lista inclui ainda a XP Investimentos, credora de cerca de R$ 80 milhões.
Também figuram entre os principais credores instituições como Sicoob, Bradesco, Itaú, Banco ABC, Pine, Daycoval e Fibra, além de Inter, Safra e BBM, totalizando ao menos 19 agentes financeiros com exposição à companhia.
Securitizadoras e CRAs ampliam pressão
Fora do sistema bancário tradicional, destacam-se as dívidas com a Ecoagro, que tem cerca de R$ 110 milhões a receber, valor ligado a Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Também aparecem a Multiplike Securitizadora e a Multiplica Capital, somando juntas mais de R$ 60 milhões.
O restante da dívida, estimado em R$ 191 milhões, está pulverizado entre armazéns, produtores rurais e cooperativas. O maior credor nesse grupo é a Itahum Export Comércio de Cereais, com quase R$ 34 milhões.
Passivo cresce e caixa diminui
Os números do processo judicial ainda ficam abaixo do passivo circulante apresentado no último balanço da empresa, referente a junho de 2025. Auditadas pela KPMG, as demonstrações financeiras apontam dívidas de curto prazo de R$ 1,6 bilhão, contra R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024.
Em dois anos, os empréstimos e financiamentos quase dobraram, saltando de R$ 418 milhões para R$ 915 milhões. Os contratos de arrendamento também cresceram de forma relevante, impulsionados, entre outros fatores, por um novo acordo envolvendo a planta de Bataguassu, com a gestora Riza.
Operações paralisadas e impacto no agro
Com sucessivos consumos de caixa — R$ 23 milhões em 2024 e R$ 6,8 milhões em 2025 —, a Aliança Agrícola encerrou junho com apenas R$ 13 milhões em caixa. Nas últimas semanas, a companhia surpreendeu o mercado ao interromper suas operações industriais.
Em comunicado publicado no LinkedIn, a empresa reconheceu dificuldades financeiras e informou a paralisação temporária de suas plantas, ampliando a preocupação de credores e agentes do agronegócio brasileiro quanto aos desdobramentos do caso.
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Aliança Agrícola acumula dívida de R$ 1,1 bilhão, com Banco do Brasil, Macquarie e Santander entre os maiores credores do agronegócio brasileiro.