Maior presença de compradores sustenta cotações da pluma, mesmo com queda no mercado internacional e no câmbio, aponta Cepea
Os preços do algodão em pluma voltaram a reagir no mercado doméstico brasileiro, impulsionados por uma maior presença compradora e pela postura cautelosa dos vendedores. Levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta terça-feira (28) indica que produtores mantiveram firmeza nas pedidas, contribuindo para o movimento de recuperação das cotações.
Segundo o Cepea, a reação dos preços ocorreu mesmo em um cenário de baixas nas cotações internacionais do algodão e de desvalorização da taxa de câmbio. Esse contexto fez com que as negociações no mercado físico interno fossem fechadas acima da paridade de exportação, situação que não era observada havia cerca de três meses.
Negociações acima da paridade de exportação
A combinação entre maior demanda interna e oferta mais restrita elevou o poder de barganha dos vendedores. Com isso, compradores que precisaram recompor estoques aceitaram pagar valores superiores aos praticados no mercado externo, reforçando a sustentação das cotações no Brasil.
Apesar da recuperação, o Cepea destaca que a liquidez seguiu limitada. O mercado permanece marcado por uma “queda de braço” entre compradores, que tentam conter os preços, e vendedores, que seguem resistentes a conceder descontos.
Atenção do produtor se volta às atividades de campo
Além do cenário comercial, produtores também estão atentos às atividades no campo. O foco atual está na colheita da soja e na semeadura do algodão, especialmente da segunda safra, o que reduz a disponibilidade de vendedores no mercado spot e contribui para a oferta mais retraída no curto prazo.
O comportamento do mercado do algodão nos próximos meses deve continuar condicionado à evolução das lavouras, ao ritmo da demanda doméstica e às oscilações do mercado internacional, fatores que seguem no radar dos agentes do setor.