As escalas de abate mais curtas nos frigoríficos brasileiros impulsionaram os preços da arroba do boi gordo, registrando altas em várias regiões do país durante a terceira semana de setembro de 2024. De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, as programações de abate reduzidas para 4-5 dias indicam uma oferta restrita de boi gordo, elevando as cotações em até R$ 5 na maioria das praças. Esse movimento afetou principalmente São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, impulsionado por fortes exportações e o período de entressafra.
Causas da restrição na oferta
A restrição na oferta de boi gordo foi o principal fator por trás das escalas de abate mais curtas observadas nos últimos 10 meses. Frigoríficos relataram dificuldades em programar abates além de 4-5 dias, o que reflete uma disponibilidade limitada de animais prontos para o corte. Essa situação é agravada pelo período de entressafra, quando a produção de gado diminui naturalmente devido às condições climáticas e de pastagem.
Impacto das exportações
As exportações brasileiras de carne bovina registraram um aumento de 15,4% em comparação com 2023, com demanda significativa vinda da China e de outros países da Ásia. Esse crescimento nas vendas externas contribuiu para a pressão sobre os preços internos, já que os exportadores competem com o mercado doméstico pela oferta limitada. Pecuaristas e frigoríficos se beneficiaram dessa dinâmica, mas o cenário exige monitoramento contínuo para equilibrar as demandas.
Altas regionais nos preços
Em São Paulo, os preços da arroba do boi gordo subiram consideravelmente, refletindo o padrão observado em outras regiões como Mato Grosso do Sul e Goiás. Minas Gerais e Mato Grosso também registraram aumentos de até R$ 5, impulsionados pela oferta restrita. Essas variações destacam a interconexão entre as praças pecuárias no Brasil, onde fatores locais e nacionais influenciam as cotações.
Perspectivas para o mercado
Analistas preveem que os preços da arroba do boi gordo mantenham a tendência de alta pelo menos até o final de 2024, com base na continuidade da oferta restrita e nas exportações robustas. No entanto, variáveis como condições climáticas e mudanças na demanda global podem alterar esse panorama. Pecuaristas devem se preparar para oportunidades, enquanto frigoríficos ajustam estratégias para lidar com as escalas curtas.
Esse é um indicativo de que a oferta de boi gordo segue restrita, o que deve manter os preços em alta no curto prazo.
Fernando Henrique Iglesias
A expectativa é de que os preços da arroba do boi gordo sigam em alta, pelo menos até o final do ano.
Fernando Henrique Iglesias
Implicações para o setor
O cenário de escalas de abate reduzidas beneficia pecuaristas com melhores margens, mas pode elevar os custos para consumidores finais. Exportadores brasileiros fortalecem sua posição no mercado global, especialmente na Ásia, onde a demanda por carne bovina continua crescente. No longo prazo, investimentos em produtividade pecuária serão essenciais para mitigar os efeitos da entressafra e estabilizar os preços.