Após um mês de quedas, valorização da raiz reflete menor oferta no campo e dificuldades de colheita, com impacto direto no agronegócio da mandioca no Brasil
O mercado da mandioca iniciou fevereiro com sinal de recuperação nos preços médios, interrompendo uma sequência de quatro semanas consecutivas de queda. Levantamento divulgado pelo Cepea indica que a valorização foi observada em parte das regiões acompanhadas pelo centro de pesquisas, impulsionada principalmente pela redução da oferta de raízes.
Segundo os pesquisadores, a menor disponibilidade está associada tanto à retração de produtores — diante de uma rentabilidade considerada limitada — quanto às dificuldades operacionais enfrentadas no campo. Chuvas pontuais em áreas produtoras têm atrasado a colheita, restringindo o volume de mandioca direcionado às fecularias.
Oferta ajustada sustenta alta nos preços
Na semana passada, o valor médio nominal a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 467,86, equivalente a R$ 0,8137 por grama de amido. O montante representa uma elevação de 1,3% em relação ao período imediatamente anterior, conforme dados do Cepea.
A reação, embora pontual, é vista como um alívio para o setor, especialmente em regiões produtoras do Nordeste e do Sudeste, onde os custos de produção seguem pressionados e o clima tem influenciado diretamente o ritmo das atividades no campo.
Queda anual ainda preocupa o setor
Apesar da recuperação recente, o desempenho anual dos preços segue negativo. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o valor nominal da mandioca apresenta retração de 22,1%. Em termos reais, considerando os valores deflacionados pelo IGP-DI, a desvalorização é ainda mais expressiva, chegando a 27,9%.
O cenário reforça os desafios enfrentados pela cadeia produtiva da mandioca no Brasil, especialmente para pequenos e médios produtores, que dependem de maior estabilidade de preços para garantir sustentabilidade econômica.
Expectativas para o mercado da mandioca
Analistas do setor acompanham com atenção a evolução das condições climáticas e o comportamento da oferta nas próximas semanas. Caso as chuvas persistam e a colheita siga limitada, os preços podem encontrar novo suporte no curto prazo. Ainda assim, a recuperação mais consistente dependerá de um equilíbrio maior entre custos, produtividade e demanda industrial.