Indicador CEPEA/ESALQ cai para R$ 103,46 por saca na parcial do mês, refletindo mudança na qualidade do produto negociado no mercado paulista
Os preços do açúcar cristal branco iniciaram fevereiro em forte retração, alcançando o menor patamar médio dos últimos seis anos, segundo dados do Cepea. Na parcial do mês, até o dia 6, o Indicador CEPEA/ESALQ para o estado de São Paulo ficou em R$ 103,46 por saca de 50 quilos, valor que não era observado desde setembro de 2019, em termos reais.
Queda histórica no mercado do açúcar
De acordo com o levantamento, os preços atuais, deflacionados pelo IGP-DI, ficam abaixo de níveis registrados nos últimos anos e se aproximam de R$ 100 por saca — patamar que não era visto desde outubro de 2020 em valores nominais. O movimento reforça o cenário de pressão sobre o mercado interno do açúcar no início de 2026.
Qualidade do produto influencia cotações
Pesquisadores do Cepea destacam que a continuidade da queda está mais relacionada à maior presença de açúcar cristal branco com coloração mais elevada, chegando a até 180 Icumsa, nas negociações. Esse fator impacta diretamente os preços, uma vez que o mercado remunera de forma diferenciada os lotes conforme a qualidade.
Demanda segue estável, segundo analistas
Apesar da retração nas cotações, o centro de pesquisas ressalta que não há, até o momento, indícios de enfraquecimento da demanda. A redução dos preços reflete, principalmente, uma mudança no perfil do produto comercializado, e não uma desaceleração do consumo.
Reflexos para o agronegócio brasileiro
O comportamento do mercado do açúcar é acompanhado de perto por produtores e usinas, especialmente em regiões estratégicas do agronegócio brasileiro, como o Centro-Sul e o Nordeste. Para o setor sucroenergético, o cenário exige atenção à qualidade do produto e às estratégias comerciais diante da maior seletividade do mercado.