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sexta-feira , 6 março 2026
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Brasil registra superávit inédito na balança de trigo com safra recorde no RS

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Campos de trigo dourado no Rio Grande do Sul durante safra recorde, representando superávit na balança comercial brasileira.

O Brasil registrou um superávit temporário na balança comercial de trigo entre janeiro e setembro de 2024, com exportações superando as importações em 1,2 milhão de toneladas. Esse resultado foi impulsionado por uma safra recorde no Rio Grande do Sul, principal produtor do grão no país. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o fenômeno marca uma inversão pontual no perfil tradicional do Brasil como importador líquido de trigo.

Safra recorde impulsiona exportações

A produção de trigo no Rio Grande do Sul atingiu 10,5 milhões de toneladas em 2024, um volume histórico que elevou as exportações brasileiras para 2,5 milhões de toneladas no período. Isso representa um aumento de 150% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, as importações caíram para 1,3 milhão de toneladas, uma redução de 40%, gerando um superávit de US$ 300 milhões na balança comercial.

Fatores climáticos e econômicos

Condições climáticas favoráveis no Rio Grande do Sul foram decisivas para o sucesso da safra. Além disso, preços internacionais baixos, a desvalorização do real e a competitividade no mercado global contribuíram para o cenário positivo. No entanto, o Brasil mantém uma dependência estrutural do trigo importado, com uma demanda interna anual de cerca de 12 milhões de toneladas, atendida em grande parte por indústrias moageiras e consumidores.

Impactos no mercado interno

O superávit afetou os preços internos, especialmente no Paraná, outro polo importante. Produtores do Rio Grande do Sul se beneficiaram da abundância, mas analistas alertam para a necessidade de monitoramento contínuo. A inversão na balança é vista como temporária, sem alterar a estrutura de longo prazo do mercado brasileiro de trigo.

Perspectivas para 2025

Para 2025, espera-se uma normalização das safras, com possíveis variações climáticas influenciando a produção. As importações devem retomar o protagonismo, segundo especialistas. O trigo brasileiro demonstra potencial, mas requer mais apoio para alcançar autossuficiência.

A inversão na balança é pontual e não altera a estrutura do mercado. Em 2025, com a normalização das safras e possíveis variações climáticas, as importações devem retomar o protagonismo. — Élcio Bento, analista de grãos da Safras & Mercado

Estamos em um momento de abundância, mas é preciso monitorar o câmbio e as cotações internacionais para evitar surpresas. — Élcio Bento, analista de grãos da Safras & Mercado

O trigo brasileiro tem potencial, mas precisa de mais apoio para se tornar autossuficiente. — Élcio Bento, analista de grãos da Safras & Mercado

Esse episódio de superávit destaca a resiliência da agricultura brasileira diante de desafios globais, mas reforça a importância de estratégias para reduzir a dependência externa no setor de grãos.

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