Produtores rurais gaúchos realizaram um protesto simbólico intitulado “Luto pelo Agro” na abertura da 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul, na segunda-feira, 9 de março de 2026. Vestidos de preto, os manifestantes promoveram um cortejo fúnebre de seis quilômetros, carregando um caixão simbólico, cruzes e faixas, para denunciar a crise de endividamento no setor agrícola, dificuldades na renegociação de crédito rural e a cobrança de royalties sobre sementes. O ato marcou o início da feira, que segue até 14 de março de 2026, e destacou as preocupações dos agricultores com perdas climáticas e tensões geopolíticas afetando o abastecimento de diesel.
Detalhes do cortejo simbólico
O protesto começou em Invernadinha e seguiu até a entrada da Expodireto Cotrijal. Participantes, incluindo produtores rurais e empresários gaúchos, organizados por entidades como a Associação dos Produtores e Empresários Rurais (APER), presidida por Arlei Romeiro, carregaram cruzes e um caixão que representavam o “luto” pelo setor agropecuário. Faixas com a inscrição “Luto pelo Agro” foram exibidas durante o percurso, chamando atenção para as demandas do grupo.
Ao final do cortejo, os manifestantes entregaram documentos à empresa Bayer, relacionada à cobrança de royalties sobre sementes. Os símbolos do protesto, como o caixão e as cruzes, permanecerão expostos durante toda a duração da feira, servindo como lembrete contínuo das reivindicações.
Motivações por trás do ato
A principal causa do endividamento acumulado pelos produtores decorre de estiagens e perdas climáticas recentes, que impactaram severamente a produção agrícola no Rio Grande do Sul. Apesar de legislação favorável para a renegociação de dívidas rurais, os agricultores enfrentam dificuldades práticas para acessar esses benefícios, agravando a crise financeira no setor.
Outro ponto de contestação é a cobrança considerada indevida de royalties sobre sementes, o que aumenta os custos operacionais e pressiona a rentabilidade das lavouras. Além disso, preocupações com o abastecimento de diesel surgem em meio a tensões geopolíticas globais, ameaçando a logística e a continuidade das atividades agrícolas.
Contexto da Expodireto Cotrijal
A 26ª edição da Expodireto Cotrijal é um dos maiores eventos do agronegócio no Brasil, reunindo produtores, empresários e representantes do setor para discutir inovações e desafios. O protesto ocorreu justamente na abertura, ampliando sua visibilidade e integrando as demandas dos agricultores ao debate central da feira.
Entidades representativas, como a APER, lideram o movimento para sensibilizar autoridades e empresas sobre a necessidade de soluções urgentes. O ato simbólico busca não apenas protestar, mas também fomentar diálogos construtivos durante o evento.
Perspectivas para o setor agropecuário
Com o protesto, os produtores rurais gaúchos esperam pressionar por mudanças efetivas na renegociação de crédito rural e na política de royalties sobre sementes. A crise de endividamento, agravada por fatores climáticos e geopolíticos, pode influenciar o futuro do agronegócio na região, demandando ações coordenadas entre governos, entidades e empresas como a Bayer.
A feira prossegue até 14 de março de 2026, oferecendo espaço para negociações e debates que possam abordar essas questões. O “Luto pelo Agro” reflete um momento crítico para o setor, onde a sustentabilidade econômica dos produtores se torna essencial para a manutenção da produção agrícola no Brasil.