Produtores rurais de Santa Catarina, já afetados por granizo que destruiu plantações de soja em outubro de 2023, agora lidam com um aumento de R$ 2 no preço do diesel por litro, elevando custos de replantio e pressionando a economia agrícola local.
Desafios climáticos nas lavouras
No início de outubro de 2023, fortes chuvas de granizo atingiram o Oeste de Santa Catarina, especialmente em Chapecó, causando perdas significativas nas plantações de soja. Produtores relataram destruição de até 30% das lavouras, exigindo replantio imediato para minimizar prejuízos. Esse evento climático forçou o uso intensivo de maquinário agrícola, aumentando a dependência de combustível.
Primeiro veio o granizo que acabou com 30% da minha lavoura de soja. Agora, o diesel subiu de R$ 5,50 para R$ 7,50 o litro. Como vou replantar sem aumentar os custos?
Segundo relatos de agricultores locais, o replantio por hectare demanda cerca de 50 litros de diesel, o que representa um custo adicional substancial com o recente reajuste.
Aumento no preço do diesel
A Petrobras anunciou um reajuste de R$ 0,25 no diesel em 20 de outubro de 2023, mas o repasse nas bombas chegou a R$ 2 por litro em alguns postos de Santa Catarina, alcançando R$ 7,50. Esse aumento é atribuído à alta no preço internacional do petróleo Brent, que ultrapassou US$ 90 por barril, influenciado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, além de frete e impostos regionais.
O barril de petróleo Brent ultrapassou os US$ 90, o que pressiona os custos de importação.
Impacto econômico para produtores
O economista João Silva, da UFSC, destacou como esses fatores globais afetam diretamente a agricultura brasileira. Para os produtores de soja em Santa Catarina, o custo extra de R$ 100 por hectare replantado pode comprometer a rentabilidade da safra. José Zeferino Pedrozo, presidente da Faesc, alertou que elevações nos custos de produção inevitavelmente se refletem nos preços ao consumidor.
A cada hectare replantado, gastamos cerca de 50 litros de diesel. Com o aumento, isso representa um custo adicional de R$ 100 por hectare.
Se os custos de produção sobem, o repasse para o consumidor é inevitável.
Resiliência dos agricultores
Apesar das adversidades, agricultores de Chapecó demonstram determinação em prosseguir com as atividades. A combinação de intempéries e flutuações de mercado testa a resiliência do setor, mas reforça a necessidade de estratégias para mitigar riscos futuros. A publicação desses relatos em 27 de outubro de 2023, às 17h, destacou a urgência do tema para o agronegócio catarinense.
A natureza já nos castigou com o granizo. Agora, o mercado nos pune com o diesel caro. Mas vamos em frente.