Avanço em agricultura regenerativa no Brasil
No coração do Mato Grosso, a Fazenda Paiaguás, gerenciada pela SLC Agrícola, está liderando um projeto-piloto inovador da RTRS (Mesa Global da Soja Responsável) para transformar práticas de manejo em métricas auditáveis. Iniciado com participação contínua desde 2015 e com relatórios de 2025 em análise, o projeto conecta produtividade agrícola a agendas de clima, solo e biodiversidade. Essa iniciativa avalia a adoção de práticas regenerativas por produtores de soja, coletando experiências para aprimorar o protocolo piloto da RTRS, considerando variáveis regionais, produtivas e de mercado.
Práticas implementadas na fazenda
A Fazenda Paiaguás adota métodos como plantio direto em 100% das áreas, rotação de culturas envolvendo soja, milho e algodão, manutenção de palhada e uso de inoculantes e bioinsumos, que representam 16,7% dos defensivos aplicados. Esses elementos são testados em escala real, com diagnóstico padronizado para promover melhoria contínua. O foco está em fortalecer a rastreabilidade e gerar impactos positivos em solo, clima, biodiversidade e água.
De acordo com Tiago Agne, gerente de Sustentabilidade da SLC Agrícola, o projeto permite gerar dados consistentes para calibrar indicadores e baselines mais realistas por região e sistema produtivo.
A Fazenda Paiaguás traz evidência prática de adoção em larga escala, dentro de um sistema produtivo complexo, que inclui rotação com algodão. Isso permite gerar dados consistentes para calibrar indicadores e baselines mais realistas por região e por sistema produtivo. — Tiago Agne
Benefícios e desafios observados
Rafael Bellé, gerente da Fazenda Paiaguás, destaca que a combinação de plantio sem revolvimento do solo, rotação de culturas e cobertura permanente reduz a variabilidade de resultados entre safras. Isso aumenta a previsibilidade do negócio e diminui a exposição a riscos climáticos. O piloto estrutura a avaliação das práticas regenerativas, reforçando a lógica de melhoria contínua no nível da fazenda.
Quando combinamos plantio sem revolvimento do solo, rotação de culturas e cobertura permanente, reduzimos a variabilidade de resultados entre safras. Isso aumenta a previsibilidade do negócio e reduz a exposição a riscos climáticos. — Rafael Bellé
Perspectivas futuras e impactos
Ana Laura Andreani, gerente Global de Padrões e Assurance da RTRS, e Helen Estima Lazzari, consultora externa, enfatizam a importância de considerar condições econômicas e comerciais na construção de indicadores. O projeto consolida a disciplina operacional e comprova a adoção de práticas regenerativas ao longo do tempo.
Tiago Agne ressalta que o piloto diferencia práticas, métricas e resultados, fortalecendo a robustez do protocolo. Ao transformar práticas consolidadas em indicadores mensuráveis, a iniciativa sinaliza um novo estágio da produção responsável de soja no Brasil, passando da conformidade socioambiental para a geração comprovada de impacto positivo em escala.
Ao transformar práticas consolidadas em indicadores mensuráveis, o piloto da RTRS sinaliza um novo estágio da produção responsável de soja no Brasil: da conformidade socioambiental à geração comprovada de impacto positivo, em escala. — Rafael Bellé