A produção mundial de trigo deve bater recorde nesta safra, com estimativas entre 808 e 809 milhões de toneladas, segundo o consultor de risco da StoneX, Jonathan Pinheiro. No entanto, os estoques globais permanecem apertados devido a um consumo que também atinge níveis históricos, variando de 806 a 809 milhões de toneladas. Pinheiro, que participou de uma reunião da Câmara Setorial do Trigo em São Paulo, destacou que os estoques vêm caindo há seis safras consecutivas, com o consumo crescendo mais rápido que a produção. Apesar de uma estabilização recente na relação estoque/uso, a exclusão da China – que detém 51% dos estoques mundiais e deve importar menos – aumenta a disponibilidade para o mercado internacional, oferecendo um “fôlego” temporário.
Esse equilíbrio frágil é ameaçado por fatores geopolíticos, como guerras e entraves logísticos, que podem disparar os preços do cereal. Pinheiro alertou que o mercado já se ajustou após a invasão russa à Ucrânia, com cotações estabilizando em patamares mais baixos – os contratos para setembro fecharam em US$ 5,1675 por bushel nesta sexta-feira, em queda de 1,24%. No entanto, o potencial para altas é maior que para quedas, especialmente com revisões para baixo na produção ucraniana (de 23 para 22 milhões de toneladas) e problemas de qualidade na Europa devido a chuvas excessivas.
No contexto brasileiro, a Argentina, principal fornecedora de trigo, deve exportar 13 a 14 milhões de toneladas na próxima safra, pressionando os preços para baixo e afetando as importações nacionais. Com uma safra argentina promissora de 20 milhões de toneladas e a produção brasileira estimada em 7,81 milhões pela Conab (11,2% abaixo da anterior), o cenário pode desafiar produtores locais, mas favorece moinhos com preços atrativos. Pinheiro enfatiza a necessidade de vigilância, pois eventos inesperados poderiam transformar essa estabilidade em crise global.