O mês de agosto trouxe condições ideais para as lavouras de cevada no Sul do Brasil, com tempo seco e boa radiação solar, favorecendo o desenvolvimento da cultura em sua fase decisiva, segundo análise da Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica. No entanto, as previsões para setembro indicam um retorno de chuvas acima da média e redução na luminosidade, o que pode prejudicar as etapas finais do ciclo e a colheita, exigindo maior atenção dos produtores.
Paulo Etchichury, CEO e meteorologista da Nottus, explica que a cevada é uma cultura de inverno, sensível a temperaturas baixas e geadas, especialmente durante o florescimento e maturação, sendo ideal para regiões de clima temperado com baixa umidade. Embora o risco de geadas amplas seja baixo, a possibilidade de frio tardio persiste, particularmente no Paraná, o maior estado produtor, onde as flores da planta são vulneráveis.
Comparado ao ano anterior, o ciclo atual apresenta perspectivas melhores devido à menor frequência de eventos extremos, com junho marcado por chuvas excessivas e geadas iniciais, seguido por um julho mais seco e ensolarado. Com 85% da produção nacional destinada à indústria de malte, a cevada permanece estratégica no Sul, mas variações climáticas entre meses e regiões demandam manejo atento para evitar perdas.
Etchichury conclui que, de modo geral, o cenário climático em 2024 se mostra favorável, mas o desempenho pode variar por região dependendo do período de plantio, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo pelos agricultores.