Em meio a um mercado global aquecido, a produção de cacau no Brasil surge como uma opção atrativa para agricultores, mas não sem obstáculos. Referências no setor, como Cláudia Sá e Luciano Ramos, exemplificam o potencial e as limitações dessa cadeia produtiva, que beneficia de preços elevados na bolsa de Nova York, embora enfrente problemas crônicos de baixa produtividade.
Cláudia Sá, uma das principais produtoras de cacau no país, comanda a Agrícola Cantagalo em Itabuna, na Bahia. Sua operação abrange impressionantes 1.800 hectares dedicados ao cultivo do fruto, posicionando-a como uma liderança no segmento. Com experiência consolidada, Sá representa o escalonamento possível na atividade, que atrai investidores interessados em commodities agrícolas.
Por outro lado, Luciano Ramos, de Ilhéus, também na Bahia, opera em uma escala menor, com 15 hectares de plantio. Apesar do tamanho reduzido, sua produção ganhou destaque internacional ao conquistar um prêmio mundial por uma amêndoa de alta qualidade. Esse reconhecimento evidencia que, mesmo em propriedades menores, é possível alcançar excelência e visibilidade global no mercado de cacau.
Ambos os produtores são vistos como referências na cadeia do cacau, oferecendo um panorama valioso sobre o setor. Eles destacam como o fruto, essencial para a indústria de chocolate, tem se valorizado nos últimos anos, impulsionado pela demanda mundial e pela negociação da commodity na bolsa de Nova York, onde os preços atingem patamares atrativos para exportadores brasileiros.
No entanto, o otimismo é temperado pela realidade da baixa produtividade, um entrave persistente na produção nacional. Fatores como pragas, condições climáticas adversas e técnicas de cultivo desatualizadas contribuem para yields abaixo do potencial, o que limita o aproveitamento pleno dos bons preços internacionais e desafia a sustentabilidade da atividade no longo prazo.