Cena viral em fazenda expõe riscos operacionais, leva sindicato a acionar Anac e reforça a importância do uso profissional da tecnologia no agronegócio brasileiro
O uso de drones revolucionou o agronegócio brasileiro, especialmente nas áreas de agricultura de precisão, pulverização, monitoramento de lavouras e controle de pragas. No entanto, um episódio recente ocorrido em uma fazenda no município de Tucumã, no sul do Pará, trouxe o tema à tona por um viés preocupante: o uso irregular da tecnologia no ambiente rural.
Um homem viralizou nas redes sociais após ser flagrado utilizando um drone agrícola de grande porte, avaliado em cerca de R$ 300 mil, como meio de transporte. As imagens, que ultrapassaram 5 milhões de visualizações, mostram o operador acomodado no reservatório do equipamento — originalmente destinado à pulverização — sobrevoando a lavoura para buscar uma garrafa de água, em uma atitude considerada imprudente por especialistas do setor.
Sindicato denuncia caso à Anac
Diante da repercussão, o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) apresentou denúncia formal à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo o diretor-executivo da entidade, Gabriel Colle, o episódio precisa ser rigorosamente investigado e, caso sejam confirmadas irregularidades, os responsáveis devem sofrer as penalidades previstas em lei.
Em nota oficial, o Sindag destacou que a atitude não apenas expõe riscos à segurança das pessoas e ao meio ambiente, como também afronta os princípios de responsabilidade e profissionalismo que norteiam a aviação agrícola brasileira, setor que reúne milhares de técnicos, agrônomos, gestores e pilotos altamente qualificados.
Impacto para a imagem da aviação agrícola
A entidade reforçou que a conduta registrada no vídeo não representa o setor aeroagrícola nacional, que acumula quase oito décadas de história marcadas por evolução técnica, legalidade e compromisso com a segurança operacional, ambiental e social. Segundo o sindicato, ações como essa colocam em risco o trabalho contínuo de qualificação e fortalecimento da cultura de segurança desenvolvido ao longo dos anos.
O que diz a legislação sobre drones agrícolas
Desde maio de 2023, a Anac simplificou as regras para o uso de drones na agricultura, enquadrando esses equipamentos na Classe 3, sem limite de peso. Apesar da flexibilização, as operações seguem restritas a áreas desabitadas e limitadas a até 122 metros de altura, em voos do tipo VLOS ou EVLOS.
A atividade também é regulamentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e exige que o operador tenha mais de 18 anos, condições físicas adequadas, registro no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e certificação por meio do curso de Aplicador Aéreo Agrícola Remoto (Caar).
Tecnologia exige responsabilidade no campo
O episódio reacende o debate sobre o uso consciente e profissional das tecnologias no campo. Especialistas alertam que, embora os drones sejam ferramentas estratégicas para aumentar a produtividade e a sustentabilidade no agro, o desvio de finalidade pode comprometer a segurança, a credibilidade do setor e até o avanço regulatório conquistado nos últimos anos.
