Os pecuaristas do Semiárido brasileiro receberam um importante reforço com o reconhecimento oficial do rebanho da raça Sindi da Embrapa Semiárido pela ABCZ. Após quase dois anos de trabalho técnico, 91 animais, entre machos e fêmeas, foram registrados com Pureza de Origem (PO), garantindo sua genética pura e prontidão para melhorar a pecuária nacional. Rafael Dantas, médico-veterinário responsável pelo Núcleo de Conservação da Raça Sindi, destaca que essa certificação é a etapa final do processo que assegura a qualidade genética dos animais.
Para obter o registro PO, a Embrapa cumpriu diversas exigências da ABCZ, com apoio da ABCSindi. Entre os critérios técnicos estavam a comunicação oficial de cobertura e nascimento dos bezerros, inspeção técnica por profissionais credenciados e exames de DNA para confirmar a filiação dos animais. Dantas ressalta que este reconhecimento atesta a origem, a identidade racial e o potencial produtivo dos animais, reforçando a importância da Embrapa na conservação de raças adaptadas às mudanças climáticas.
Originária do Paquistão, a raça Sindi é conhecida por sua rusticidade e adaptabilidade a ambientes hostis. No Semiárido nordestino, ela se destaca por resistir ao calor extremo, ser produtiva mesmo com escassez de recursos, converter eficientemente alimentos de baixo valor nutricional e pastar em áreas degradadas. Essas características tornam a Sindi uma opção sustentável para pecuaristas que enfrentam desafios climáticos e de recursos.
A história desse rebanho começou em 1952 com a importação de animais do Paquistão. Desde 1996, ele é mantido como rebanho fechado na Embrapa Semiárido, garantindo sua pureza genética. Além disso, a Embrapa conserva amostras de sêmen e embriões em Brasília, assegurando o futuro da pecuária tropical com uma linhagem de baixo custo, rusticidade e desempenho zootécnico.