A desativação da Usina Santa Elisa pela Raízen, atual proprietária da histórica usina em Sertãozinho (SP), não teve grande impacto no mercado, mas gerou emoções intensas. Em uma nota divulgada nesta terça-feira (15), o empresário Maurilio Biagi Filho, de 83 anos, veterano do setor sucroalcooleiro e ex-diretor da usina de 1971 a 2002, expressou sua tristeza com a notícia. “Lá, vivi grandes momentos da minha vida: iniciei minha trajetória profissional, passei por todos os setores, da indústria à presidência, e pude liderar sua transformação em uma das maiores empresas do setor sucroenergético no mundo, tanto em inovação quanto em produção”, escreveu.
Filho, presidente do Grupo Maubisa, destacou que a usina “faz parte da minha história pessoal e da história da região”. Adquirida por sua família em 1936, a Santa Elisa se tornou um símbolo do desenvolvimento de Sertãozinho. Em 1998, a usina alcançou um marco histórico ao se tornar a de maior volume de moagem do mundo à época. “Mais do que um empreendimento, a Usina Santa Elisa representa um patrimônio imaterial valioso — de memória, de pertencimento, de vínculos afetivos e sociais. A história que ela ajudou a escrever em Sertãozinho é indelével”, concluiu.
A Raízen, ao desativar a Santa Elisa, busca reduzir a competição voraz por cana, uma decisão que, embora estratégica, deixa marcas emocionais profundas na comunidade e nos veteranos do setor como Maurilio Biagi Filho.