Para Maurício Murúci, analista de açúcar e etanol da Safras e Mercado, a decisão da Coca-Cola de lançar uma versão da bebida feita com açúcar de cana nos EUA não deve impactar significativamente as exportações de cana-de-açúcar do Brasil. O lançamento ocorre pouco tempo após o presidente Donald Trump expressar nas redes sociais seu desejo de substituir o xarope de milho por açúcar de cana. Apesar de uma alta na cotação do açúcar na Bolsa de Nova York na semana passada, quando a medida ainda era especulação, os preços do açúcar de cana no mercado internacional caíram esta semana. “A gente segue aquele ditado clássico do mercado: que o mercado compra no boato e vende no fato”, explica Maurício sobre a queda dos preços.
O pedido de Trump visa aumentar a demanda interna por açúcar de cana e incentivar o crescimento da indústria de cana-de-açúcar nos EUA. Atualmente, o país consome 11,2 milhões de toneladas de açúcar por ano, e com a nova versão da bebida, esse consumo deve aumentar para 11,5 milhões de toneladas. No entanto, Maurício avalia que é necessário tempo para que o setor de cana-de-açúcar cresça no país, já que 90% do açúcar consumido lá é de beterraba. “Não se incentiva um setor produtivo do dia para a noite”, comenta o analista.
Sobre o impacto do tarifaço no setor de cana-de-açúcar brasileiro, Maurício estima um prejuízo de cerca de R$ 100 milhões, um valor considerado baixo para um setor que movimenta R$ 120 bilhões. Contudo, as usinas de açúcar do Nordeste do país devem ser as mais prejudicadas, pois dedicam uma grande parte da sua produção à exportação para os EUA.