A Raízen, uma das maiores empresas do setor sucroenergético do país, anunciou a descontinuação das operações da Usina Santa Elisa, localizada em Sertãozinho, São Paulo. A decisão faz parte da estratégia da companhia de reciclagem de portfólio de ativos, focando na eficiência agroindustrial. Rafael Bergman, CFO e Diretor de Relações com Investidores da Raízen, informou que a empresa firmou contratos para a venda de até 3,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, incluindo cana própria e a cessão de contratos com fornecedores. O valor da transação é de aproximadamente R$ 1,045 bilhão, com pagamento à vista no fechamento da operação.
O negócio foi firmado com várias usinas, incluindo a Usina Alta Mogiana, Usina Bazan, Usina Batatais, São Martinho, Pitangueiras Açúcar e Álcool e Viralcool – Açúcar e Álcool. A empresa também firmou um acordo com sindicatos que representam os quase dois mil trabalhadores da usina, garantindo o pagamento das verbas rescisórias e de abonos, além da manutenção de benefícios por um prazo determinado. O poder público está buscando realocar os profissionais, enquanto benefícios adicionais serão garantidos por 6 meses.
Maurilio Biagi Filho, empresário de 83 anos que dirigiu a usina entre 1971 e 2002, expressou sua tristeza com a notícia. Ele destacou que a usina foi adquirida por sua família em 1936 e se tornou um símbolo do desenvolvimento de Sertãozinho. Biagi Filho lembrou que, em 1998, a usina alcançou o título de maior volume de moagem do mundo, ressaltando seu valor histórico e cultural para a região. “A Usina Santa Elisa representa um patrimônio imaterial valioso — de memória, de pertencimento, de vínculos afetivos e sociais”, escreveu ele.