A Enebra, empresa fundada há cinco anos pelo empresário Guilherme Elias, captou R$ 100 milhões por meio de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) para fornecer cavacos de madeira à usina de etanol de milho da 3tentos, em construção em Porto Alegre do Norte, no nordeste de Mato Grosso. Esse financiamento, lastreado em contratos de fornecimento, permite à companhia expandir operações para uma nova região, investindo em um módulo de processamento de madeira com equipamentos como picadores e frota própria de caminhões. Anteriormente concentrada em Nova Mutum, onde atende a Inpasa, líder em etanol de milho no Brasil, a Enebra agora fortalece seu capital de giro e alonga dívidas, com o CRA vencendo em cinco anos e remunerando investidores a CDI + 4% ao ano.
O negócio destaca o potencial das florestas plantadas para suprir a demanda por biomassa, resolvendo um gargalo no setor de etanol de milho, que depende de eucalipto ou bambu em vez de subprodutos de desmatamento, cada vez mais restritos por normas ambientais. Com garantias incluindo contratos take or pay com a 3tentos e a Icofort, e aval dos sócios Elias e Nedil Junior, a operação atraiu investidores profissionais via parceria entre Galápagos e EQI. Elias enfatiza que Mato Grosso pode plantar até 300 mil hectares de florestas em áreas arenosas inadequadas para grãos, demandando investimentos de R$ 7,5 bilhões, posicionando a Enebra contra concorrentes como a FS Florestal, que já possui 50 mil hectares.
Atualmente com 2 mil hectares arrendados de eucalipto, a Enebra planeja expandir para 30 mil hectares, respaldada por um backlog de contratos de R$ 4 bilhões em média de seis anos. Essa movimentação reflete o crescimento do etanol de milho no Centro-Oeste, impulsionado por indústrias que buscam sustentabilidade, e pode influenciar políticas agrícolas regionais ao promover o uso de terras marginais para bioenergia.