O Queijo Minas Artesanal, reconhecido em dezembro do ano passado como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco, agora é alvo de uma pesquisa inovadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). O projeto visa identificar e catalogar microrganismos presentes nesses queijos produzidos a partir de leite cru há mais de três séculos, criando uma coleção microbiológica chamada Queijoteca Artesanal. O foco principal está no pingo, um sorofermento natural essencial para o sabor, textura e aroma do produto, com a identificação de bactérias láticas em dez regiões produtoras reconhecidas.
Coordenado pelo pesquisador Daniel Arantes, da Epamig, o estudo busca explorar o potencial biotecnológico desses microrganismos para garantir sua conservação e uso em pesquisas futuras. Com um investimento de R$ 2,1 milhões, a iniciativa expande trabalhos já realizados na região de Campo das Vertentes, que inclui 15 municípios e a Rota do Queijo Terroir Vertentes, um roteiro turístico que permite aos visitantes conhecerem a produção e a gastronomia local. Arantes destaca que o acervo será estratégico para a preservação do patrimônio genético e o controle de qualidade dos fermentos adaptados às realidades regionais.
A pesquisa também analisa o armazenamento do pingo e a maturação do queijo em condições controladas de umidade e temperatura, avaliando impactos na microbiota e nas características finais do produto. Produtores como Joelma Tarôco, da região de Campo das Vertentes, enfatizam os desafios de trabalhar com leite cru. Ela relata que sua família iniciou a queijaria em 2013, obtendo certificação estadual em 2015, e agora se dedica ao agroturismo, abandonando empregos urbanos para focar na produção e venda dos Queijos Tarôco, sempre em parceria com pesquisas para manter a qualidade.