Produtores de trigo no Rio Grande do Sul e no Paraná enfrentam um momento favorável no mercado, com preços que incentivam vendas imediatas para quem precisa de caixa. De acordo com a consultoria TF Agroeconômica, os agricultores gaúchos podem aproveitar cotações de R$ 1.300 por tonelada FOB interior, um aumento de 8,33% em relação aos R$ 1.200 da safra anterior. No Paraná, os valores variam entre R$ 1.450 e R$ 1.480 para a safra atual, caindo para R$ 1.400 na próxima. Esses patamares são vistos como excelentes, mas a entrada da nova safra pode pressionar os preços entre agosto e setembro, alertam os especialistas.
Fatores geopolíticos e climáticos globais contribuem para essa alta, como a redução de 64% nas exportações de trigo da Ucrânia no início do novo ciclo comercial, limitando a concorrência do Mar Negro. Nos Estados Unidos, a área sob seca aumentou de 36% para 43%, segundo o USDA, com impactos notáveis em Dakota do Sul, o que restringe a oferta mundial e sustenta preços internacionais. Por outro lado, elementos de baixa incluem a colheita abundante no Hemisfério Norte, especialmente na França, e a desvalorização do rublo, que torna o trigo russo mais competitivo.
Em um movimento político relevante, a Argentina reduziu as retenciones sobre o trigo de 12% para 9,5%, uma medida que pode impulsionar suas exportações e aumentar a concorrência no mercado global. Para os produtores brasileiros sem urgência financeira, a consultoria sugere aguardar até o primeiro semestre de 2026, quando os preços poderão superar R$ 1.500 por tonelada, impulsionados por essas dinâmicas internacionais.