Após um julho turbulento, o mercado do boi gordo no Brasil começa a dar sinais de estabilização, com expectativas de uma reação moderada nos preços já no início de agosto. Pressionado por uma oferta abundante de animais e incertezas globais, o setor viu quedas nas cotações da arroba, como em São Paulo, onde o valor caiu para R$ 295 por arroba no dia 25 de julho, segundo a Scot Consultoria. Analistas como Felipe Fabbri, da mesma consultoria, descrevem o mês como “desastroso”, mas destacam que os preços atuais ainda superam os de um ano atrás, abrindo espaço para uma retomada gradual impulsionada pelo consumo interno e ajustes nas exportações.
No cenário internacional, o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, que pode elevar em até 50% as tarifas sobre a carne bovina brasileira a partir de agosto, representa um desafio político e econômico. Apesar disso, o Brasil registrou exportações robustas em julho, com 172,7 mil toneladas embarcadas e um faturamento de US$ 958 milhões, um aumento de 50,5% no valor médio diário em comparação a 2024. Especialistas como Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, apontam para um rearranjo global, onde países como Austrália e Argentina redirecionam suas produções, permitindo que o Brasil ocupe espaços na Ásia e no Oriente Médio.
Internamente, fatores como a entrada de salários e o Dia dos Pais devem estimular a demanda por carne bovina, ajudando a firmar os preços. No entanto, a concorrência com proteínas mais baratas, como frango e suína, e a lentidão no varejo continuam como obstáculos. Iglesias observa que pecuaristas estão negociando com mais seletividade, o que contribui para equilibrar o mercado, mas alerta para a necessidade de cautela diante de margens apertadas e riscos externos.