O nitrogênio é um dos macronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas, mas seu uso em fertilizantes representa um alto custo para os produtores rurais, com eficiência muitas vezes abaixo de 50% devido a perdas como lixiviação e volatilização. No entanto, um estudo da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) revela que bioinsumos, como bactérias fixadoras de nitrogênio, surgem como alternativa sustentável, posicionando o Brasil na vanguarda da inovação agrícola. O professor Fernando Shintate Galindo, do câmpus de Dracena, explica que essa abordagem, já comum na soja, agora se expande para cultivos como o milho, reduzindo a dependência de adubos químicos caros.
No experimento publicado na revista Plant Biology, pesquisadores testaram a inoculação combinada de Azospirillum brasilense e Bacillus subtilis em plantações de milho, em diferentes localidades e doses de nitrogênio. Os resultados mostram que essa combinação melhora o crescimento das plantas, a fotossíntese e a eficiência no uso de água, além de reduzir o estresse oxidativo. Com uma dose otimizada, é possível baixar a aplicação de nitrogênio de 240 kg por hectare para 175 kg, elevando a produtividade em 5,2% e cortando emissões de CO2 em 682,5 kg por hectare.
Essa inovação não só promove benefícios ambientais, como a diminuição de impactos de adubos excessivos, mas também gera economia prática: cerca de R$ 130 por hectare para o produtor. Projetando para os 22 milhões de hectares de milho no Brasil, o potencial de poupança chega a R$ 2,86 bilhões anuais, sem contar ganhos intangíveis em sustentabilidade. Galindo alerta que o equilíbrio é chave, pois doses elevadas de nitrogênio podem inibir a ação das bactérias, destacando a necessidade de práticas agrícolas precisas.