A maior produtora de carne bovina dos Estados Unidos, a Tyson, continua lidando com os impactos de um rebanho em níveis mínimos históricos, o menor em mais de 50 anos. Isso eleva os preços do gado e afeta não só a companhia americana, mas também empresas brasileiras como JBS e Marfrig, que operam no mercado norte-americano. De acordo com Donnie King, CEO da Tyson, a recuperação do setor pode começar em 2026, com fortalecimento nos anos seguintes, impulsionada pela retenção de novilhas e uma queda de 16% no abate de vacas no primeiro semestre deste ano.
No terceiro trimestre, as vendas de carne da Tyson cresceram 7%, alcançando US$ 5,6 bilhões, graças à resiliência dos consumidores apesar dos preços mais altos. No entanto, o prejuízo operacional ajustado aprofundou para US$ 151 milhões, com margem negativa de 2,7%, reflexo da oferta apertada de gado. King destacou que a empresa mantém disciplina na cadeia de suprimentos, e mencionou pouco impacto imediato das tarifas propostas por Donald Trump sobre importações, inclusive do Brasil, devido a atrasos nos efeitos e outros fatores inflacionários no setor.
Enquanto o segmento de carne bovina projeta prejuízos entre US$ 475 milhões e US$ 375 milhões para o ano fiscal de 2025, a divisão de frango compensa com expectativas de lucro 33% maior. A Tyson revisou seu guidance consolidado para cima, prevendo vendas 2% a 3% maiores e lucro operacional entre US$ 2,1 bilhões e US$ 2,3 bilhões. As ações da empresa subiram até 4% na Bolsa de Nova York após o anúncio, embora acumulem queda de 11% em 12 meses.