A Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat) iniciou uma ofensiva contra a Boa Safra Sementes, alegando práticas anticompetitivas que poderiam violar a ordem econômica. A entidade contratou um estudo técnico para investigar supostas condutas predatórias, como preços abaixo do custo e incentivos não transparentes, com o objetivo de eliminar concorrentes e capturar mercado de forma artificial. Caso os indícios se confirmem, a Aprosmat pretende representar o caso ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), destacando a importância de um ambiente concorrencial saudável para o setor agrícola.
Em resposta, a Boa Safra repudiou as acusações, classificando-as como infundadas e sem provas concretas. A empresa enfatiza que seu market share de apenas 8% não configura domínio de mercado e que suas políticas de preços são baseadas em custos reais. Além disso, a Boa Safra investiu mais de R$ 200 milhões em Mato Grosso nos últimos três anos, fortalecendo a cadeia produtiva local, e promete medidas judiciais para proteger sua reputação.
A controvérsia reflete desafios mais amplos na indústria de sementes, como problemas de liquidez na cadeia de grãos e a influência de líderes como a GDM, que detém 80% do mercado de germoplasma e controla cotas de multiplicação. Especialistas apontam que a estratégia agressiva de preços da Boa Safra, com descontos de 10% a 15%, visa recuperar espaço após afastamento de grandes revendas, mas pode trazer riscos de longo prazo, como dificuldade em fidelizar clientes.
No cerne da disputa, questionamentos sobre dívidas securitizadas da Boa Safra foram levantados pela Aprosmat, sugerindo que elas permitiriam preços mais baixos de forma desleal. No entanto, análises indicam que essas estruturas são transparentes e comuns no setor, com impactos devidamente registrados nas demonstrações financeiras da empresa.