Cerca de quatro mil espécies de plantas ao redor do mundo produzem néctar em caules e folhas através de glândulas chamadas nectários extraflorais. Diferente do néctar floral, que atrai polinizadores, esse tipo serve para recrutar formigas como defensoras, que se alimentam do líquido doce e protegem a planta contra herbívoros. No entanto, um estudo publicado no Journal of Ecology revela um custo: as formigas podem reduzir as visitas e o tempo de permanência das abelhas nas flores, afetando a polinização quando os nectários estão próximos delas.
Apesar do impacto negativo na polinização por abelhas, plantas com esses nectários mostram maior sucesso reprodutivo graças à proteção contra predadores. Borboletas, por outro lado, não sofrem interferência, pois usam a espirotromba para sugar néctar de longe, evitando as formigas. Amanda Vieira da Silva, que conduziu o estudo durante seu doutorado na Fapesp, explica que o prejuízo ocorre quando as glândulas estão perto das flores, mas há benefícios quando estão distantes.
Análises evolutivas indicam que os nectários extraflorais são traços facilmente ganhos e perdidos ao longo do tempo, possivelmente devido à pressão seletiva das formigas espantando abelhas. Dos quase mil gêneros com essa característica, apenas 46 dependem exclusivamente de abelhas para polinização. O professor Anselmo Nogueira, do CCNH-UFABC, sugere que em alguns casos, a produção de folhas novas com nectários e flores acontece em estações diferentes, evitando conflitos.
Pesquisadores estão investigando se uma terceira interação pode estabilizar esse equilíbrio entre formigas defensoras e polinizadores, oferecendo novas perspectivas sobre a evolução das plantas.