A mudança no comportamento dos produtores rurais, que estão segurando mais grãos como milho à espera de preços melhores, não afeta apenas as tradings. Essa lentidão nas vendas chegou à Rumo, a maior operadora ferroviária do país, cujas ações despencaram 9,5% após o balanço do segundo trimestre. A surpresa veio com uma queda de 2,4% na tarifa consolidada, contrariando expectativas de crescimento, o que neutralizou o avanço de 4% na receita, para R$ 3,7 bilhões. Analistas do BTG Pactual destacaram que os resultados foram pouco inspiradores, com volumes em julho apenas bons, não excepcionais, e pressões de curto prazo, incluindo ruído regulatório.
Guilherme Machado, CFO da Rumo, explicou em conferência com analistas que o ritmo mais lento de comercialização do milho alterou a dinâmica tradicional, com produtores de Mato Grosso vendendo apenas 51% da safra 2024/25 até julho, abaixo da média de 65% dos últimos anos, segundo o Imea. Isso reduz a pressão sobre as tradings para contratos antecipados, afetando a demanda por transporte e o market share da empresa, que caiu de 44% para 42% em grãos no estado. Machado prevê uma comercialização mais cautelosa no segundo semestre, exigindo adaptações operacionais, como lidar com a competição entre soja, milho e farelo.
Apesar dos desafios, a Rumo mantém otimismo com investimentos em andamento, como a Ferrovia do Mato Grosso, obras na Malha Paulista e um novo terminal em Santos com a CHS. O capex previsto é de mais de R$ 6 bilhões este ano, com projetos adicionando 10 milhões de toneladas à capacidade atual de 35 milhões. Executivos como Felipe Saraiva estimam preenchimento dessa expansão em três anos, impulsionado pelo crescimento produtivo em Mato Grosso. No entanto, há pessimismo com a renovação da concessão da Malha Oeste, que termina em 2026, enquanto a Malha Sul, em 2027, parece mais promissora.
Financeiramente, a companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 731 milhões, leve alta ante os R$ 721 milhões anteriores, com Ebitda subindo 6% para R$ 2,28 bilhões. A dívida líquida cresceu 13%, para R$ 14,2 bilhões, representando 1,8 vez o Ebitda, em meio a esforços como economia em combustíveis por trens maiores.