A raça Nelore, originária da Índia e conhecida lá como Ongole, chegou ao Brasil em 1868, quando um casal de bovinos desembarcou acidentalmente no porto de Salvador, na Bahia, durante uma escala de um navio inglês. Comprados por fazendeiros locais, esses animais marcaram o início de uma trajetória que transformaria a pecuária de corte no país. Visionários como o Barão do Paraná, que importou exemplares do Zoológico de Londres em 1874 e 1877, e o imigrante suíço Manoel Ubelhart Lemgruber, que trouxe um casal de Hamburgo em 1878, ajudaram a difundir a raça, apesar da preferência inicial por outras variedades indianas como Guzerá e Gir.
No início do século XX, a expansão ganhou força com importações diretas da Índia, como a de Manuel de Souza Machado em 1906, que trouxe o touro Cacique e a vaca Aracy, gerando a primeira bezerra Nelore POI nascida no Brasil. Pecuaristas do Triângulo Mineiro, São Paulo e Goiás, incluindo famílias como os Martins Borges, organizaram expedições que ampliaram a presença da raça. Em 1938, a criação do Livro de Registro Genealógico pela Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, hoje ABCZ, estabeleceu padrões oficiais para seleção.
As importações de 1960 e 1962, lideradas por figuras como Celso Garcia Cid e outros, trouxeram reprodutores lendários como Karvadi e Taj Mahal, influenciando geneticamente quase todo o rebanho atual. Após a proibição de exportações pela Índia em 1962, o melhoramento passou a ser nacional, com foco em rusticidade e eficiência reprodutiva. Hoje, o Nelore representa cerca de 80% do rebanho bovino de corte brasileiro, adaptado ao clima tropical e essencial para a liderança do país na exportação de carne.
Com características como pelagem branca ou cinza-clara, orelhas curtas e cupim proeminente nos machos, a raça se divide em linhagens como PO, POI e LEI, garantindo sua adaptação e produtividade. Essa história de adaptação e inovação destaca o Nelore como base da economia pecuária, impulsionando o Brasil como potência global no setor.