Após o segundo leilão do programa Ecoinvest superar expectativas com uma demanda de R$ 17,3 bilhões e potencial para gerar R$ 31,4 bilhões em investimentos, o Ministério da Agricultura foca em garantir que os recursos para recuperação de áreas degradadas sejam acessíveis e bem distribuídos. O ministro Carlos Fávaro destacou que o programa pode converter até 3 milhões de hectares, com 10 instituições financeiras habilitadas para restaurar de 1,4 milhão a 3 milhões de hectares, dependendo do nível de degradação.
A preocupação central é evitar juros elevados na linha de blended finance, já que não há teto definido, o que poderia encarecer o crédito para produtores. Há também receio de concentração de operações em grandes clientes pelas instituições financeiras, além de um possível uso amplo dos recursos para projetos não alimentícios, como plantio de eucaliptos. Carlos Augustin, presidente do Comitê Gestor Interministerial, celebrou o resultado como um “sucesso muito grande”, superando a expectativa inicial de R$ 10 bilhões.
Bancos como Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander participaram, com o BB possivelmente recebendo cerca de R$ 8 bilhões, o que poderia impulsionar uma atuação mais pulverizada graças à sua capilaridade. O ministério aguarda detalhes sobre a distribuição dos recursos e prevê uma nova regulamentação para o desembolso, com regras restritas. Em julho, um grupo técnico foi criado para validar protocolos, envolvendo ministérios e a Febraban, com apoio da Embrapa para monitoramento de emissões de gases de efeito estufa.