Casos de trigêmeos, quadrigêmeos e até quíntuplos em ovinos têm ganhado destaque nas últimas semanas, chamando atenção para o impacto da seleção genética nos rebanhos do país. Embora pareçam raros, esses partos múltiplos são mais comuns do que se pensa e refletem melhorias em práticas reprodutivas. Relatos recentes vêm de municípios como São Sepé, Quevedos, Pinheiro Machado, Xangri-lá e Ronda Alta, no Rio Grande do Sul, Castro, no Paraná, e Quixeramobim, no Ceará, onde ovelhas deram à luz a vários cordeiros, gerando repercussão na imprensa e nas redes sociais.
De acordo com Fabricio Willke, técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), essa tendência está ligada diretamente à genética de raças selecionadas para alta prolificidade. Genes como o Booroola, identificado na raça Merino e introduzido em Corriedale e Texel, e o Vacaria, presente na Ile de France, foram testados pela Embrapa e promovem ovulações múltiplas. Além disso, protocolos hormonais para indução de cio contribuem para esses resultados, independentemente de condições ambientais ou nutricionais.
Do ponto de vista produtivo, esses partos representam uma estratégia para aumentar a natalidade e o desmame sem expandir o número de matrizes, elevando a rentabilidade dos criadores. No entanto, Willke enfatiza a necessidade de ajustes no manejo nutricional e sanitário para lidar com essa maior prolificidade, garantindo a saúde dos animais e a sustentabilidade dos rebanhos.