A empresa de biológicos on-farm Solubio, controlada pelo Aqua Capital, surpreendeu o mercado ao liquidar antecipadamente dois Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos entre 2021 e 2022. Em vez de sinalizar problemas financeiros graves, a medida resolveu um entrave burocrático que se arrastava por dez meses, permitindo à companhia comandada por Ernesto Cavasin otimizar seu caixa e fortalecer sua posição financeira. Os CRAs originais, com vencimentos previstos para 2025 e 2026, foram trocados por um novo título com prazo até 2030, após adesão de mais de 60% dos credores, incluindo fundos como JGP, Capitânia, XP e AZ Quest.
O processo enfrentou obstáculos significativos, como a necessidade de aval de 90% dos cotistas para cancelar os papéis antigos, o que se mostrou desafiador devido à dispersão de investidores. Alternativas como quitar com ativos subjacentes ou vender com desconto não prosperaram, levando à decisão pela liquidação antecipada aprovada na última sexta-feira. Isso exigiu o desembolso de R$ 70 milhões pela Solubio, mas evitou descontos aos credores e permitiu anular os títulos, com cuidados para não acionar cláusulas de cross-default em outras dívidas.
Com a operação, a empresa acessa um fundo de reserva de quase R$ 15 milhões, impulsionando o caixa em um período crucial de geração de receita, que concentra 70% do faturamento entre julho e dezembro. Cavasin projeta um Ebitda entre R$ 40 milhões e R$ 45 milhões para o ano, superando expectativas iniciais, após o melhor primeiro semestre da história da Solubio. A companhia planeja captar R$ 40 milhões em dívida para capital de giro, explorando opções como FDIC e renovações de linhas de crédito, enquanto investe em P&D para lançar tecnologias inovadoras em 2026, como bactérias com estabilidade de até 120 dias.