Auditores fiscais federais agropecuários interceptaram uma carga inusitada no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na última quinta-feira (7/8). Um passageiro vindo da Nigéria trazia em sua bagagem mais de 62 quilos de ratos empalados e dois abutres africanos, da espécie grifo africano, pesando quase 6 quilos no total. Segundo o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), a carga somava 102 quilos de produtos de origem animal e vegetal com alto risco sanitário, incluindo vegetais, peixes, couro e artigos de madeira. O forte cheiro das malas alertou os fiscais, que procederam à inspeção.
De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), o passageiro admitiu que parte dos itens seria para consumo e outra para rituais religiosos. O auditor Montemar Onishi, que participou da operação e é diretor de comunicação do sindicato, explicou que passageiros com perfis semelhantes, carregando volumes excessivos, são selecionados por raio-X ou cães farejadores. Ele destacou que esses materiais representam ameaças à saúde pública e à agropecuária brasileira, podendo transmitir doenças como a influenza aviária ou zoonoses.
O caso levou à intervenção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que aplicou uma multa de R$ 149,8 mil ao passageiro, além de possíveis sanções penais. O indivíduo será incluído no Sistema Brasileiro de Informações Antecipadas de Passageiro (Sisbraip), ferramenta implementada em 2022 que já analisou mais de 399 milhões de passageiros para reforçar a fiscalização. Incidentes como esse ressaltam a importância de políticas mais rigorosas de controle sanitário e ambiental nas fronteiras, especialmente em um contexto de globalização e riscos à biodiversidade nacional.