A São Martinho, uma das principais empresas do setor sucroalcooleiro, anunciou um investimento de R$ 1,1 bilhão para mais que dobrar sua capacidade de produção de etanol de milho na usina de Quirinópolis, em Goiás, a partir do segundo semestre de 2027. O projeto, que inclui a construção de um armazém para 240 mil toneladas de milho e melhorias na geração de energia, receberá R$ 728 milhões em financiamento do BNDES e da Finep, com prazos de 12 anos e dois anos de carência. Analistas do BTG Pactual e do Itaú BBA destacam que, apesar de pressionar o fluxo de caixa temporariamente, o investimento promete retornos atrativos, com payback em menos de três anos, graças à rentabilidade do etanol de milho e à gestão conservadora da companhia.
O mercado reagiu positivamente, com ações da empresa subindo até 4% na terça-feira, fechando em alta de 1,2%, mesmo com preocupações sobre queima de caixa nos próximos anos. Diretor financeiro Felipe Vicchiato explicou que o projeto usará biomassa de cana para economizar até R$ 120 milhões anuais e adicionará 270 mil metros cúbicos de etanol, além de subprodutos como DDGS e óleo de milho. No entanto, analistas da XP e do Itaú BBA alertam que isso pode adiar distribuições de dividendos, priorizando o crescimento de longo prazo em um setor ainda dominado por gigantes como a Inpasa.
Resultados do primeiro trimestre da safra 2025/26 já mostram benefícios do etanol de milho, que compensou quedas na moagem de cana devido ao estresse hídrico, elevando a receita líquida em 12,2% para R$ 1,8 bilhão. A companhia também planeja iniciar produção de biometano em setembro, com receita estimada em R$ 50 milhões anuais, reforçando seu foco em energias sustentáveis sem novos investimentos ou fusões no horizonte.