O Banco do Brasil anunciou um lucro líquido de R$ 3,8 bilhões no segundo trimestre deste ano, o que representa uma queda de 60% em comparação ao mesmo período do ano passado. A presidente da instituição, Tarciana Medeiros, atribuiu o resultado à crescente inadimplência no setor do agronegócio, durante uma teleconferência com analistas. Segundo dados divulgados, o índice de inadimplência de 90 dias no agronegócio alcançou 3,49% no segundo trimestre de 2025, um aumento significativo em relação aos 3,04% do trimestre anterior e aos 1,32% registrados no mesmo período do ano passado.
Entre os mais de 600 mil clientes do banco no setor, cerca de 20 mil estão inadimplentes, sendo que 74% deles não apresentavam histórico de calotes até dezembro de 2023. A crise afeta principalmente produtores de soja, milho e pecuária nas regiões Centro-Oeste e Sul do país. Tarciana Medeiros explicou que fatores como condições climáticas adversas, taxas de juros elevadas e altos custos com fertilizantes e insumos têm levado muitos produtores a recorrerem a falências ou recuperações judiciais, intensificando os calotes.
Apesar do cenário desafiador, o Banco do Brasil projeta uma recuperação a partir do quarto trimestre de 2025, impulsionada por melhores condições climáticas, uma safra 2025/26 mais robusta e preços elevados no mercado de commodities. Como um dos principais financiadores do agronegócio brasileiro, o banco planeja destinar R$ 230 bilhões para a safra 2025/26, visando apoiar o setor em meio às dificuldades econômicas.