O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sexta-feira , 6 março 2026
Início Clima Agronegócio cobra alterações no Plano Clima para proteger imagem no exterior
Clima

Agronegócio cobra alterações no Plano Clima para proteger imagem no exterior

71

Entidades do agronegócio e parlamentares da bancada ruralista pressionam por mudanças no Plano Clima, uma iniciativa do governo federal que compila dados sobre o impacto de setores econômicos nas mudanças climáticas e orienta políticas para cumprir metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. Eles argumentam que o texto original, apresentado pelo Executivo, pode prejudicar a imagem e a competitividade do agro brasileiro no mercado internacional, e cobram uma posição mais firme do Ministério da Agricultura para revisar trechos considerados prejudiciais.

A principal crítica recai sobre a vinculação da maior parte das emissões por desmatamento ilegal ao setor agropecuário, o que eleva o agro de segundo para primeiro maior emissor no país, responsável por mais de 70% das emissões. Ambientalistas concordam com esses números e defendem que o agronegócio precisa assumir responsabilidades. Já representantes do setor alegam que o plano ignora avanços sustentáveis e expõe injustamente o Brasil a críticas de concorrentes, como Estados Unidos e União Europeia, que associam a produção brasileira ao desmatamento e impõem barreiras comerciais.

Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), critica o plano por transmitir uma “mensagem errada” sobre o agronegócio, especialmente em 2025, ano da COP30 em Belém. Ele teme que os dados sirvam como argumento para classificar o Brasil como de alto risco na Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) e reforcem tarifas nos EUA ou atrasos no acordo Mercosul-UE. Lucchi acusa falta de transparência na elaboração e sugere que partes do governo visam restringir o setor, sem alterar o Código Florestal.

O plano atribui ao agro 813 milhões de toneladas de CO2 por desmatamentos, somadas a 643 milhões da produção propriamente dita, enquanto o setor de conservação da natureza responde por 356 milhões. Leonardo Papp, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), destaca que 55% das emissões atribuídas não vêm da produção, mas de desmatamentos, incluindo áreas como assentamentos e unidades de conservação. O setor defende separar emissões de desmatamento das da produção, argumentando que o ilegal é responsabilidade do poder público.

Pedro de Camargo Neto, liderança agropecuária, reforça que desmatamento ilegal é crime e não deve ser imputado aos produtores. O plano exige redução de 36% nas emissões do setor até 2030 e 54% até 2035, o que é visto como desproporcional. Críticas incluem a não consideração de captura de carbono em propriedades privadas, como reservas legais, e práticas como plantio direto e biocombustíveis.

O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), afirma que o plano ignora remoções de carbono por boas práticas. O Ministério do Meio Ambiente rebate, em nota, que as metas incluem remoções por restauração de vegetação e sistemas integrados em áreas privadas, abrangendo grandes produtores e agricultores familiares.

Outra objeção é o uso de dados do MapBiomas e modelos como o Blues, considerados não oficiais ou auditáveis. O plano impõe redução de desmatamento legal sem garantias de incentivos financeiros. Representantes se reuniram com o ministro Carlos Fávaro, cobrando oposição ao texto original, mas o ministério não respondeu a questionamentos.

A proposta está em consulta pública até 18 de agosto, e o setor pede sua suspensão para debates, alegando prazo curto de menos de 30 dias.

Relacionadas

Produtores de arroz do RS pedem ao Mapa restrições a importações para enfrentar crise

Produtores de arroz do Rio Grande do Sul solicitam ao Mapa medidas...

Conab divulga boletim com chuvas favoráveis no Brasil, mas irregularidades no Sul afetam soja no RS

Descubra o boletim da Conab de fevereiro de 2026: chuvas favoráveis impulsionam...

StoneX eleva estimativa de produção de milho no Brasil para 136 milhões de toneladas

StoneX revisa para cima a produção de milho no Brasil para 136...

Feijão carioca atinge preço recorde de R$ 541,67 por saco em São Paulo

O feijão carioca atingiu recorde de R$ 541,67 por saco em SP...