Dados do Comex Stat revelam que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ainda não afetou a comercialização da soja brasileira. Apesar das tensões comerciais internacionais, as exportações do produto seguem sem impactos significativos, conforme análise apresentada no Agroexport desta terça-feira (19).
No entanto, uma avaliação da receita cambial do complexo soja nos últimos cinco anos aponta para uma desvalorização de aproximadamente 12,5%. Esse declínio reflete desafios no mercado global, mesmo com a resiliência das vendas brasileiras diante das barreiras tarifárias americanas.
Especificamente, o preço da soja em grão caiu de US$ 484 por tonelada em 2021 para US$ 415 em agosto de 2025, representando uma retração de 14%. Essa queda é ainda mais acentuada no farelo de soja, que passou de US$ 422 para US$ 353 por tonelada, uma redução de 15%.
Já o óleo de soja sofreu um impacto menor, com os valores diminuindo de US$ 1,22 para US$ 1,11 por tonelada, o equivalente a 9%. Esses números destacam uma tendência de depreciação nos derivados da oleaginosa, influenciada por fatores além das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A principal causa dessa queda nos preços internacionais está relacionada a safras abundantes em diversas regiões do mundo e estoques globais elevados. Esses elementos exercem pressão sobre o mercado, reduzindo a valorização da commodity mesmo em cenários de disputas comerciais.
Em meio ao tarifaço e às margens de lucro cada vez mais apertadas, produtores e exportadores precisam monitorar de perto a relação entre preço, rentabilidade e custo. Essa vigilância é essencial para mitigar riscos em um ambiente econômico volátil.
O contexto político das tarifas americanas, embora não tenha ainda prejudicado diretamente as exportações brasileiras, serve como lembrete das vulnerabilidades do comércio agrícola global. Analistas sugerem que o Brasil, como maior exportador de soja, deve se preparar para possíveis escaladas nessas tensões.