Muito se discute sobre o estresse por calor em bovinos, mas o frio excessivo também representa uma ameaça significativa para esses animais, especialmente durante o inverno. Bovinos são homeotérmicos e precisam manter a temperatura corporal estável, mas temperaturas abaixo da zona de conforto térmico forçam o organismo a direcionar energia para a produção de calor, o que compromete o desempenho zootécnico. Com a chegada das baixas temperaturas, associadas a ventos frios e chuvas, pecuaristas precisam adotar estratégias de manejo para preservar o bem-estar, a sanidade e a produtividade do rebanho, evitando perdas no ganho de peso diário.
As consequências do frio incluem a redução no consumo de matéria seca, perda de peso corporal, especialmente em animais jovens ou magros, e queda na imunidade, o que eleva a incidência de doenças respiratórias. Além disso, há menor conversão alimentar e atraso no acabamento de carcaça, impactando diretamente a rentabilidade da operação. Animais em confinamento ou pastagens enfrentam esses desafios, e o estresse térmico no frio pode ser tão prejudicial quanto no calor, demandando atenção redobrada para mitigar esses efeitos.
O manejo nutricional é essencial para combater os impactos do inverno. Durante os dias mais frios, o consumo de energia aumenta, pois os bovinos precisam gerar mais calor interno. Recomenda-se ajustar a dieta com fontes energéticas de rápida fermentação, como milho moído ou polpa cítrica, além de garantir fibras de qualidade que promovam a termogênese. Suplementação com minerais e vitaminas, como vitamina A, selênio e zinco, fortalece a imunidade e ajuda a manter o desempenho produtivo.
Proporcionar abrigo e conforto térmico é outra medida crucial. Em confinamentos, ambientes protegidos de vento e umidade, com coberturas e barreiras, são fundamentais. No pasto, áreas com quebra-vento natural, como renques de árvores, oferecem proteção. Esses cuidados evitam o acúmulo de umidade e reduzem o estresse, permitindo que os animais descansem em locais secos e confortáveis.
A qualidade da água também exige monitoramento constante, pois no frio a ingestão diminui e a água pode ficar excessivamente gelada, comprometendo a digestão e a absorção de nutrientes. É importante manter bebedouros limpos, evitar poças de lama e garantir que a temperatura da água não seja um obstáculo ao consumo. Atenção especial deve ser dada a bezerros, animais em recuperação ou refugos, que são mais vulneráveis.
A prevenção de doenças respiratórias, como pneumonia, é indispensável no inverno, quando esses problemas se agravam. Manter o calendário vacinal atualizado, investir em higiene e ventilação nos confinamentos, e observar sinais como tosse ou febre permitem diagnósticos precoces. Nutrição adequada e manejo cuidadoso, evitando movimentações em horários frios, fortalecem a imunidade e reduzem riscos.
Em resumo, o inverno exige planejamento estratégico na bovinocultura para evitar prejuízos. Ao priorizar alimentação, conforto e saúde, os produtores asseguram a eficiência e a rentabilidade, reconhecendo que o bem-estar animal é fundamental tanto no frio quanto no calor. O acompanhamento por veterinários e zootecnistas é recomendado para otimizar essas práticas.