O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (25) o presidente da Nigéria, Bola Tinubu, no Palácio do Planalto, em uma visita de Estado que resultou na assinatura de cinco atos de cooperação bilateral. O encontro destacou a intenção do Brasil de ampliar o fluxo comercial com o país africano, em meio a um cenário internacional marcado pelo avanço do protecionismo e do unilateralismo. Lula enfatizou a necessidade de fortalecer o livre comércio e a integração produtiva entre as duas nações, que representam as maiores economias da América Latina e da África.
Durante o discurso, Lula apontou para a queda no intercâmbio comercial entre Brasil e Nigéria, que passou de US$ 10 bilhões em 2014 para US$ 2 bilhões em 2024. Ele afirmou que esse volume é insuficiente e que ambos os países devem reafirmar seu compromisso com o livre comércio. “Duas das maiores economias da América Latina e da África devem ter um intercâmbio muito maior”, disse o presidente brasileiro, destacando a importância de contrapor as tendências protecionistas globais por meio de parcerias estratégicas.
As áreas prioritárias de cooperação incluem agricultura e pecuária, petróleo e gás, fertilizantes, aeronaves e máquinas. Atualmente, 74% das exportações brasileiras para a Nigéria consistem em açúcares e melaços, enquanto as importações se concentram em petróleo e derivados (48%) e fertilizantes (48%). Lula também mencionou a dívida histórica do Brasil com a África, decorrente dos 350 anos de escravidão, e defendeu que a reparação deve se dar por meio de solidariedade e transferência de tecnologia, especialmente no setor agrícola.
O presidente nigeriano, Bola Tinubu, ressaltou o potencial da juventude de seu país como motor para novas parcerias e expressou interesse em colaborar com a Petrobras na exploração de gás natural e no setor farmacêutico. “Somos o terceiro maior produtor de petróleo da África e isso não está levando a atividades comerciais de valor como deveria”, afirmou Tinubu, sinalizando a necessidade de elevar o patamar das relações econômicas.
Entre os acordos firmados, destacam-se parcerias em aviação civil, consultas políticas, formação de diplomatas, cooperação entre o BNDES e o Banco de Agricultura da Nigéria, além de ciência, tecnologia e inovação. Como medida prática, foi aprovado o início de um voo direto entre São Paulo e Lagos, operado pela companhia aérea Air Peace. Lula anunciou ainda o envio de um adido da Polícia Federal para Abuja, visando combater o crime organizado, o terrorismo e o tráfico internacional de drogas, enfatizando que ações multilaterais são essenciais para enfrentar esses desafios.
A visita reforça a retomada da cooperação bilateral entre os dois países. Em junho, o vice-presidente Geraldo Alckmin esteve em Abuja para o Mecanismo de Diálogo Estratégico, e em março o chanceler Mauro Vieira também visitou a Nigéria. Após a reunião no Planalto, Lula ofereceu um almoço no Itamaraty, e a agenda de Tinubu no Brasil incluiu encontros com os presidentes do Senado, da Câmara e do Supremo Tribunal Federal, além de participação no Fórum Empresarial Nigéria-Brasil, ao lado de Alckmin.