As exportações brasileiras de carne bovina in natura estão prestes a registrar um novo recorde em agosto, mesmo com a interrupção de novos negócios com os Estados Unidos, que até o mês passado eram o segundo maior comprador do produto.
De acordo com Lygia Pimentel, diretora da consultoria Agrifatto, o acumulado até o momento é de 212,93 mil toneladas, e a projeção aponta para 265 mil toneladas no mês, superando marcas anteriores para o período.
Esse desempenho ocorre em meio ao anúncio de tarifas adicionais de 50% impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, elevando a taxa total sobre a carne bovina para 76,4%, o que torna inviáveis novas transações entre os dois países.
As novas tarifas entraram em vigor neste mês, mas não se aplicam às mercadorias que deixaram os portos brasileiros antes da meia-noite de 6 de agosto com destino ao mercado americano. No entanto, essas cargas ainda podem ser sujeitas à taxação se não forem disponibilizadas para consumo até 5 de outubro.
O governo do presidente Donald Trump elaborou uma lista com mais de 600 produtos isentos das tarifas adicionais, mas a carne bovina brasileira não foi incluída, o que agrava o impacto sobre o setor exportador.
Apesar do cenário adverso, o ritmo de embarques se mantém elevado. Dados preliminares do governo federal indicam uma média diária de 13,3 mil toneladas na quarta semana de agosto, representando um aumento de 34,6% em relação à média diária de 9,88 mil toneladas registrada em agosto do ano passado.
Os preços também seguem em alta, com o valor médio alcançando US$ 5,6 mil por tonelada, um crescimento de 26,3% na comparação anual. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), embora o dólar tenha se desvalorizado de julho para cá, o avanço no preço médio em dólar compensou, mantendo estável o valor em real.