Uma perícia realizada pela Polícia Civil de São Paulo concluiu que o cavalo que teve as patas decepadas em Bananal, no interior paulista, ainda estava vivo no momento das agressões. O laudo aponta a presença de hematomas que só poderiam ter sido causados enquanto o animal estava em vida.
A informação foi confirmada nesta quarta-feira (27) pelo delegado Rubens Luiz Fonseca Melo e pela veterinária Luana Gesualdi, que acompanhou o caso.
“Quando o animal está sem vida, é um cadáver. Você não consegue desferir golpes e causar hematomas, só quando ele está em vida”, explicou a veterinária.
Animal caiu por exaustão após 15 km
De acordo com a investigação, o cavalo tombou após ser forçado a cavalgar cerca de 15 km. O responsável pelo crime, identificado como Andrey Guilherme Nogueira de Queiroz, declarou em entrevista que estava embriagado.
Ao ver o animal caído, Andrey utilizou um facão para amputar as duas patas e ainda desferiu golpes de faca no abdômen. Segundo ele, o objetivo seria facilitar o lançamento do corpo ribanceira abaixo, em uma área de difícil acesso.
A veterinária Luana Gesualdi também explicou por que houve pouco sangue no local:
“Quando o animal está naquela situação de exaustão grave, a pressão cai, o pulso fica muito baixo e, por isso, não se observa tanto sangue.”
Repercussão nacional
O caso gerou grande indignação. Nas redes sociais, a ativista Luísa Mell cobrou punição:
“Monstros! Como pode, gente? Pelo amor de Deus! Exigimos punição! Estes covardes têm que pagar!”
A cantora sertaneja Ana Castela classificou o ato como covardia e pediu mobilização popular para que o caso chegue às autoridades.
A Anamma (Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente) e a Prefeitura de Bananal também emitiram notas de repúdio, cobrando rigor na investigação e responsabilização dos envolvidos.
O que acontece agora
O delegado responsável destacou que o autor das agressões pode ter acreditado que o cavalo estivesse morto, devido ao estado de embriaguez. Ainda assim, o crime é classificado como maus-tratos e mutilação de animal, com previsão de prisão e multa, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), reforçada pelo PL 1095/2019, que aumenta a pena em casos de crueldade contra cães e gatos.
O inquérito segue em andamento e deve ser encaminhado ao Ministério Público.