As emissões de metano (CH4) no Brasil registraram um aumento de 6% entre 2020 e 2023, alcançando 21,1 milhões de toneladas no ano passado, conforme relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Observatório do Clima. Esse volume representa o segundo maior já registrado no país, impulsionado principalmente pela agropecuária, que responde por três quartos das emissões totais do gás. O metano é um potente gás de efeito estufa, com potencial de aquecimento global 28 vezes superior ao do dióxido de carbono, o que agrava as preocupações com as mudanças climáticas.
A agropecuária foi responsável por 75,6% das emissões de metano em 2023, totalizando 15,7 milhões de toneladas. Desse montante, 98% originou-se da pecuária, especialmente da fermentação entérica no rebanho bovino, conhecida como “arroto” do boi, que contribuiu com 14,5 milhões de toneladas. Esse dado equivale a 406 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e), superando todas as emissões de gases de efeito estufa da Itália no mesmo período, destacou o Observatório do Clima em sua análise.
Outros setores também contribuíram para o quadro preocupante. O setor de resíduos aparece como o segundo maior emissor, com 3,1 milhões de toneladas em 2023, principalmente devido ao descarte inadequado de dejetos orgânicos em lixões. Em seguida, as mudanças de uso da terra e florestas geraram 1,33 milhão de toneladas, com ênfase nas queimadas, enquanto o setor de energia emitiu 550 mil toneladas e os processos industriais e uso de produtos, 20 mil toneladas.
O relatório ressalta que o Brasil aderiu, em 2021, ao Compromisso Global do Metano, firmado por mais de 150 países durante a COP26, em Glasgow. A meta é reduzir as emissões em 30% até 2030, em comparação com os níveis de 2020. No entanto, o Observatório do Clima aponta que o país vem registrando crescimento contínuo nas emissões desde 2015, o que coloca em xeque o cumprimento desse acordo internacional.
Globalmente, o Brasil ocupa a quinta posição entre os maiores emissores de metano, atrás de China, Estados Unidos, Índia e Rússia. Esse cenário reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas para mitigar o impacto ambiental, especialmente em um contexto de compromissos assumidos no âmbito da diplomacia climática.