O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) destacou, nesta quarta-feira (27), no Rio de Janeiro, as contribuições do Brasil para a sustentabilidade no campo durante a Rio Climate Action Week (RCAW). O evento, preparatório para a COP30, reuniu representantes do setor público e privado, sociedade civil, comunidade científica e instituições financeiras para discutir soluções diante da crise climática, com ênfase na agricultura tropical regenerativa.
A RCAW é uma iniciativa independente e apartidária que apoia a presidência brasileira da COP30, agendada para novembro em Belém (PA). Neste ano, o encontro busca reforçar a liderança do país em ações climáticas, inspirando-se em experiências prévias em Baku e Londres, e promove debates sobre práticas sustentáveis no setor agropecuário.
O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues defendeu a consolidação do conceito de agricultura regenerativa tropical com bases científicas sólidas. Ele ressaltou que o Brasil já adota práticas regenerativas há décadas, citando como exemplo a transformação do Cerrado em um polo produtivo por meio de técnicas inovadoras e sustentáveis.
Bruno Brasil, diretor do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação do Mapa, enfatizou os resultados obtidos com políticas públicas como os Planos ABC e ABC+. Desde sua criação, essas iniciativas promoveram a recuperação de mais de 54 milhões de hectares utilizando técnicas sustentáveis, posicionando o Brasil como líder em agricultura sustentável.
De acordo com Bruno Brasil, o país agora prepara um novo avanço com o plano RAIZ, que visa acelerar a recuperação de áreas degradadas em escala global. Essa iniciativa está sendo desenvolvida em parceria com organismos internacionais e entidades nacionais, com o objetivo de atrair investimentos e aumentar a resiliência do setor agrícola frente às mudanças climáticas.
Com a pauta climática ganhando centralidade no comércio internacional, a participação do Mapa na RCAW reforça a estratégia brasileira de demonstrar avanços em sustentabilidade. O foco é posicionar a agropecuária nacional não como problema, mas como parte essencial da solução no enfrentamento às mudanças climáticas, alinhando-se aos compromissos globais.