O mercado físico do boi gordo no Brasil encerrou agosto com uma forte recuperação, revertendo a acomodação observada no final de julho. A valorização da arroba foi impulsionada principalmente pela demanda externa aquecida, que proporcionou liquidez e preços firmes para os frigoríficos. Como resultado, houve uma alta de até 7,5% nos preços médios regionais, tornando agosto um dos meses mais positivos do ano para a pecuária de corte.
Nas principais praças pecuárias, os preços confirmaram esse avanço. Em São Paulo, a arroba fechou a R$ 310, com valorização de 3,33% em relação ao final de julho. Em Goiânia, o aumento foi de 7,02%, alcançando R$ 305. Já em Uberaba, o preço chegou a R$ 305, representando um salto de 5,17%. Em Dourados e Cuiabá, a arroba atingiu R$ 315, com altas de 3,28% e 6,78%, respectivamente, enquanto em Vilhena os preços subiram 7,55%, para R$ 285. Em lotes de animais de maior qualidade, os valores chegaram a R$ 320 em estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.
O mercado atacadista também refletiu essa tendência de alta. O quarto traseiro foi cotado a R$ 22,90 por quilo, com aumento de 7,01%, enquanto o quarto dianteiro alcançou R$ 18,25 por quilo, avançando 4,29%. A ponta de agulha manteve-se em R$ 17,25 por quilo, indicando equilíbrio entre oferta e demanda. Apesar da concorrência com proteínas mais acessíveis como frango e suíno, o consumo interno, ainda contido em agosto, pode ganhar força em setembro com o pagamento de salários, estimulando a reposição no varejo.
As exportações de carne bovina foram o principal fator de sustentação dessa valorização. O Brasil embarcou 212,9 mil toneladas de carne in natura até o dia 28 de agosto, gerando uma receita de US$ 1,192 bilhão. A média diária de exportações foi de US$ 74,55 milhões, com alta de 70,1% em valor comparado a agosto anterior, além de crescimento de 34,7% no volume e 26,3% no preço médio por tonelada, que chegou a US$ 5.602. Esse desempenho histórico reforça a posição do Brasil no mercado global.
Para setembro, as perspectivas são de manutenção da firmeza nos preços. A oferta de animais permanece ajustada, com pecuaristas adotando uma postura cautelosa na liberação de lotes, aguardando possíveis novas valorizações. Combinado à demanda externa sólida e à recuperação esperada no consumo doméstico, o cenário aponta para um viés altista, consolidando oportunidades para o setor, embora exija cautela na gestão de negociações.